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domingo, 14 de setembro de 2014

Exaltação da Santa Cruz





Exaltação da Santa Cruz


Ó Cruz que vences!, Cruz que reinas!, Cruz que limpas todo o pecado! Aleluia. 

(Liturgia da Horas, Antífona de Laude)



Conta uma piedosa tradição que, quando o imperador, vestido com as insígnias da realeza, quis carregar pessoalmente o santo Madeiro até o seu primitivo lugar no Calvário, o seu peso foi-se tornando cada vez mais insuportável. Nesse momento, Zacarias, bispo de Jerusalém, fez-lhe ver que, para levar aos ombros a Santa Cruz, deveria desfazer-se das insígnias imperiais, imitando a pobreza e a humildade de Cristo, que tinha carregado o santo lenho despojado de tudo. Heráclio vestiu então umas humildes roupas de peregrino e, descalço, pôde levar a Santa Cruz até o cimo do Gólgota. (Croisset, Año mariano, Madrid, 1846, vol. VII, pág. 120-121;)



É a árvore de riquíssimos frutos, arma poderosa que afasta todos os males e espanta os inimigos da nossa salvação: Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus Nosso Senhor dos nossos inimigos, dizemos todos os dias ao persignar-nos. A Cruz – ensina um Padre da Igreja – “é o escudo e o troféu contra o demônio. É o sinal para que não sejamos atingidos pelo anjo exterminador, 
como diz a Escritura (cfr. Ex 9, 12).
É o instrumento para levantar aqueles que caem, o apoio para os que se mantêm em pé', o bastão dos débeis, o guia dos que se extraviam, a meta dos que avançam, a saúde da alma e do corpo. Afugenta todos os males, acolhe todos os bens, é a morte do pecado, a semente da ressurreição, a árvore da vida eterna”5. O Senhor pôs a salvação da humanidade no lenho da Cruz, para que a vida ressurgisse de onde viera a morte, e aquele que vencera na árvore do Paraíso 
fosse vencido na árvore da Cruz. 
(Prefácio da Missa da Exaltação da Santa Cruz).
Deus abençoa com a Cruz quando quer conceder grandes bens a um dos seus filhos, a quem trata então com particular predileção.
Não são poucos os que fogem em debandada da Cruz de Cristo, e se afastam da verdadeira alegria, da eficácia sobrenatural, da própria santidade; fogem de Cristo. Levemo-la nós sem rebeldia, sem queixas, com amor.
“Estás sofrendo uma grande tribulação? Encontras oposição? – Diz, muito devagar, como que saboreando, esta oração forte e viril:


«Faça-se, cumpra-se, seja louvada e eternamente glorificada a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas. – Assim seja. Assim seja». 

“Eu te garanto que alcançarás a paz”. 
(Josemaría Escrivá, Caminho, n. 691).
CRUZ FIEL, tu és a mais nobre de todas as árvores; nenhuma outra pode comparar-se a ti 
em folhas, em flor, em fruto. 
(Hinos Crux fidelis)



“Se sofres, submerge a tua dor na dele: diz a tua Missa. Mas se o mundo não compreende estas coisas, não te perturbes; basta que te compreendam Jesus, Maria, os santos. Vive com eles e deixa que o teu sangue corra em benefício da humanidade: como Ele!”
(Ch. Lubich, Meditações)
A única dor verdadeira é afastar-se de Cristo. Os outros padecimentos são passageiros e convertem-se em alegria e paz. “Não é verdade que, mal deixas de ter medo à Cruz, a isso que a gente chama de Cruz, quando pões a tua vontade em aceitar a vontade divina, és feliz, e passam todas as preocupações, os sofrimentos físicos ou morais?
“É verdadeiramente suave e amável a Cruz de Jesus. Não contam aí as penas: só a alegria de nos sabermos corredentores com Ele”. 
( Josemaría Escrivá, Via Sacra, Quadrante, São Paulo, 1981, II)

“«Cor Mariae perdolentis, miserere nobis!» – invoca o Coração de Santa Maria, com ânimo e decisão de te unires à sua dor, em reparação pelos teus pecados e pelos de todos os homens de todos os tempos.
“E pede-lhe – para cada alma – que essa sua dor aumente em nós a aversão ao pecado, e que saibamos amar, como expiação, as contrariedades físicas ou morais 
de cada jornada”. 
 ( Sulco, n. 258).

Eis a Cruz do Senhor: inimigos, fugi! 
Triunfou e venceu o Leão de Judá, 
a Raiz de Davi! Aleluia.

Eis a Cruz do Senhor: inimigos, fugi! 
Triunfou e venceu o Leão de Judá, 
a Raiz de Davi! Aleluia.

Ó Cruz tão bendita, só tu mereceste 
trazer o Senhor, Rei dos céus, aleluia.

Ó Cruz gloriosa! De teus braços pendeu 
o tesouro precioso e a redenção dos cativos. 
Por ti foi o mundo remido no sangue de seu Redentor. 
Salve, ó Cruz, consagrada pelo corpo de Cristo, 
por seus membros ornada, quais pedras preciosas.



O sentido da festa da 
exaltação da Santa Cruz

A Exaltação da Santa Cruz
Les Très Riches Heures du duc de Berry - Musée Condé, Chantilly.
Hoje é festa da Exaltação da Santíssima Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Os comentários comuns na festa da exaltação da Santa Cruz muito condignamente falam da cruz. E um pouco paradoxalmente eu vou falar da exaltação da cruz, mais do que propriamente da cruz, para indicar bem qual é o sentido desta festa.
Os senhores sabem que a cruz é um instrumento de suplício, usado em toda a antiguidade, que representava uma ignomínia para a pessoa que fosse crucificada; uma vergonha para a pessoa e uma vergonha para a família.
São Paulo reclamou de não ser objeto de crucifixão ou outro tipo qualquer de morte, mas de ser decapitado, porque ele era cidadão romano e, sendo cidadão romano, tinha as honras de cidadão romano, não era sujeito a crucifixão.
Nosso Senhor Jesus Cristo portanto, sendo crucificado, recebeu uma humilhação tremenda. Esta humilhação equivalia a matá-Lo dizendo que era um bandido, que era um ladrão, que era do mesmo gênero que os dois outros facínoras com os quais foi crucificado.
Neste sentido a cruz não era apenas uma humilhação, mas o auge de todas as outras humilhações que Ele sofreu durante a sua existência terrena.
O povo judaico foi enchendo Nosso Senhor de humilhações durante sua vida terrena. E essas humilhações, que correspondiam a um ódio crescente, desfecharam na maior de todas as humilhações possíveis que foi o sacrifício da Cruz. Este desejo de infligir a Nosso Senhor um martírio moral, humilhando-O ao longo de toda a sua ação é muito evidente.
Em toda a Paixão nota-se o desejo de humilhar a Nosso Senhor. Assim, por exemplo, a coroa de espinhos, a túnica de bobo, uma cana na mão à guisa de cetro, as pessoas que batiam nEle, etc., exprimem o desejo de O atormentar na sua Alma Santíssima, e não apenas no seu Corpo Santíssimo.
A Cruz de Nosso Senhor representa, portanto, todas as humilhações que Ele sofreu durante a vida. E ela é o começo de todas as humilhações que até o fim do mundo todos os católicos haveriam de sofrer por causa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Porque a impiedade não desarma. Ela visa sempre humilhar, ela visa sempre quebrar a moral. Não há aqui nesta sala um só que não tenha sido humilhado por causa de sua fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo. É uma honra para nós, é exatamente uma das bem-aventuranças ser perseguido por amor a Jesus Cristo.
Nós todos sofremos estas humilhações, e havemos de sofrer até o fim do mundo, exatamente por causa disto, por causa do contínuo ultraje que a impiedade faz contra Deus.
* Os católicos tomaram a cruz como sinal de honra para reivindicar a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo
Coroa de Carlos Magno ou Coroa de Nuremberg, durante séculos símbolo da soberania do Sacro Império Romano
Mas, paralelamente, a honra de Deus, a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo é reivindicada pela Igreja. E por causa disto os católicos tomaram a Cruz como sinal de honra, como o que há de mais sagrado, o símbolo de quanto há de mais santo, e aí os senhores vêem três manifestações características dos tempos de Fé: a Cruz colocada no alto das coroas; a Cruz como sinal heráldico dos mais nobres galardões das famílias da alta aristocracia; a Cruz colocada como insígnia das condecorações.
Tudo isto provando que o católico, para exaltar a Cruz em face desta humilhação, para revidar esta humilhação, e revidar com ufania cavalheiresca e sobrenatural, faz a exaltação da Santa Cruz.
O que representa isto?
Antes de tudo, tomar a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e glorificá-la.
O aparecimento da Cruz a Constantino na Ponte Milvia, dizendo: "Com este sinal vencerás!", significava isto. A Cruz se levantava no céu e ia ficar definitivamente no horizonte do mundo, humilhando por sua vez os maus, humilhando por sua vez os demônios.
E a Cruz por sua vez ia ser o sinal de nossa honra, como as nossas cruzes iam ser sinal de nossa honra. E a nossa honra não consiste em nós não sermos humilhados, mas consiste em receber a humilhação com ufania. E receber gabando-se da humilhação.

Batalha da Ponte Milvia - Pieter Lastman - 1613
E mais ainda, num espírito de desafio. Em face daquele que nos humilha, nós revidamos como cavalheiros e nós proclamamos com ufania ainda maior a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

* A exaltação é a proclamação da glória da Cruz com ufania

Esta idéia da exaltação exatamente é isto: é a proclamação da glória da Cruz, com uma ufania que esmague as humilhações que o adversário procura impor a Cristo.
Daí vem a palavra exaltar. Exaltare, altere in alto, levar para o alto. Quer dizer, levar para o alto aquilo que estava humilhado, que estava abaixado. É esta então a glorificação da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
É exatamente o que falta ao “heresia-branca” (*). O “heresia-branca” quando vê qualquer humilhação, faz uma cara preguiçosa, baba e foge. Enche de vergonha a causa que deveria defender.
A Causa Católica precisa ser defendida com espírito de Cavalaria e, portanto, se alguém injuria a Cruz diante de nós, devemos redargüir incisivamente. Mas não como se defende a nossa honra, porque a nossa honra é uma coisinha muito insignificante, mas como quem defende a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, a honra de Nossa Senhora.
Ter, portanto, esta espécie de sentido da contínua exaltação da Cruz, esta espécie de espírito de cavaleiro, de guerreiro, que está lutando pela glória da Cruz continuamente, é a graça que nós devemos pedir na festa da Exaltação da Santa Cruz.


(*) Com a expressão "heresia branca", o Prof. Plinio designa uma atitude sentimental que se manifesta sobretudo em certo tipo de piedade adocicada e uma posição doutrinal relativista que procura justificar-se sob o pretexto de uma pretensa "caridade" para com o próximo. 

FONTE: www.pliniocorreadeoliveira