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Momentos de oração



Luz, minha luz.


" Luz, minha luz, a luz que enche o 
mundo, a luz que beija o olhar, a 
luz que abranda o coração!


                     Ah! a luz dança, meu amado, no centro

da minha vida; a luz meu amado, tange
as cordas do meu amor; abre-se o céu,
precipita-se o vento, percorre a
terra numa risada.



As borboletas abrem as suas velas no 
oceano da luz. 
Lírios e jasmins desabotoam nas cristas 
das ondas da luz

Em cada nuvem, meu amado, a luz 
esmigalha-se em ouro, e despeja uma 
profusão de pedrarias.




De folha em folha, meu amado, 
esparrama-se a alegria e um 
destemido prazer. À caudal do 
céu inundou as suas margens, e 
saltou a onda da felicidade." 

(Tagore)


Via Crucis
Com
Paulo de Tarso
 
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
ORAÇÃO INICIAL
Tu conheces, Pai de misericórdia, como é importante para nós a misteriosa comunhão com os sofrimentos de Cristo, e sabes como isso é difícil e distante da nossa mentalidade.
Por isso te pedimos humildemente, juntamente com Paulo, que nos abras os olhos da mente e do coração para que conheçamos a Cristo, o poder da sua ressurreição, a comunhão nas suas provações, para poder oferecer com ele a nossa vida pelo corpo de Cristo.
Ilumina, ó Senhor, a nossa mente e aquece o nosso coração para que possamos compreender as palavras da Escritura. Isso te pedimos, Pai, juntamente com Maria, Mãe dolorosa, com Paulo, para a glória de Jesus, morto e ressuscitado por nós, que vive e reina na Igreja e no mundo por todos os séculos dos séculos.
R.   Amém.


Pela Virgem dolorosa
nossa mãe tão piedosa




perdoai-me meu Jesus


PRIMEIRA ESTAÇÃO
JESUS É CONDENADO À MORTE
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Preso, Jesus é interrogado. Falsos testemunhos são levantados contra Ele.
L2 - "Por causa do Evangelho estou acorrentado como se fosse um malfeitor" (2Tm 2,9).
L1 - Ao afirmar ser o Filho de Deus, Jesus é conde­nado por blasfêmia.
L2 - "Por causa do Evangelho tudo suporto, para que também os escolhidos de Deus consigam a salvação em Cristo Jesus" (2Tm 2,10).
L1 - Mesmo inocente, Jesus é condenado a morrer na cruz.
Oração:
Senhor, fostes condenado à morte porque a voz da consciência ficou sufocada pela vaidade e a procura do sucesso. Olhai-me como olhastes Pedro depois de Vos ter renegado, para que a voz sutil da consciência desperte a contrição e converção do coração e indique o caminho para á vida.
Todos: Pai nosso...
A morrer crucificado
teu Jesus é condenado
por teus crimes, pecador.




SEGUNDA ESTAÇÃO
JESUS RECEBE A CRUZ AOS OMBROS
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.

L1 - Condenado a morrer na cruz, Jesus a recebe sobre os ombros já machucados pela flagelação.
L2 - "Todavia não me envergonho, porque eu sei em quem coloquei a minha fé, e estou certo de que ele tem o poder para guardar o meu depósito, até aquele Dia" (2Tm 1,12).
L1- A distância a percorrer não é longa, porém can­sativa. Jesus havia sido torturado e ultrajado. O peso da cruz soma-se à dor causada pela flagelação.
L2 - "Participando dos seus sofrimentos, tam­bém teremos parte na sua glória" (Rm 8,17).
L1 - A lei judaica não permite a crucificação dentro dos muros da cidade. Por isso Jesus é obriga­do a carregar a cruz até o monte Calvário.
L2 - "Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos" (Rm 14,9).
Oração:
Senhor, carregastes a cruz e convidastes-nos a seguir-Vos neste caminho. Ajudai-nos a percorrer o caminho do amor e, obedecer às suas exigência, a alcançar a verdadeira alegria.
Todos: Pai nosso...
Com a cruz  é carregado
e do peso acabrunhado,
vai morrer por teu amor.





TERCEIRA ESTAÇÃO
JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Com a pesada cruz às costas, Jesus dá os pri­meiros passos. As pernas vacilam; o corpo todo sofre.
L2 - "O que é loucura no mundo, Deus o esco­lheu para confundir os sábios; o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte" (1 Cor 1,27).
L1 - Enfraquecido pela flagelação, Jesus cai. É a primeira queda.
L2 - "O que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens" (1 Cor 1 ,25).
L1 - Com a ajuda dos soldados, Jesus se ergue e o caminho para o Calvário prossegue com muito sofrimento.
L2 - "A linguagem da cruz é loucura   para os que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, ela        é poder de Deus" (1 Cor 1,18).
Oração:
Senhor o peso de nosso pecado, o peso de nossa soberba Vos joga ao chão. Vinde em nossa ajuda, porque caímos. Ajudai-nos a abandonar nossa soberba devastadora e aprendendo da Vossa humildade, a nos colocarmos novamente de pé.
Todos: Pai nosso...
Pela cruz tão oprimido,
cai Jesus desfalecido
pela tua salvação.



QUARTA ESTAÇÃO
JESUS ENCONTRA SUA MÃE
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Um grupo de pessoas olha para Jesus. Alguns estão indiferentes; outros choram amarga­mente.

L2 - "Meus filhos, sofro como dores de parto, até que Cristo esteja formado em vocês" (Gal 4,19).
L1 - Ao lado do Filho está a Mãe, Maria. Ela tem o coração dilacerado pela dor.
L2 - "Sem cessar trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Je­sus também seja manifestada em nosso corpo" (2 Cor 4,10).
L1 - Mãe e Filho se encontram; os olhos de ambos expressam amor e dor. O sofrimento do Filho transpassa o coração da Mãe.
L2 - "Assim como os sofrimentos do Cristo são abundantes para nós, assim também, pelo Cristo, é abundante a nossa consolação" (2 Cor 1,5).
Oração:
Santa Maria, Mãe do Senhor, acreditastes e permanecestes fiel também no momento da Sua maior humilhação. Ensinai-nos a ter “coragem de mãe”, “bondade de mãe”, que com sua fé resiste na escuridão e, do seu coração ferido de morte, continua a jorrar, rios de paz e de amor.
Todos: Pai nosso...

Vendo a Mãe Imaculada,
vê também a aguda espada
transpassar-lhe o coração.



QUINTA ESTAÇÃO
SIMÃO DE CIRENE LEVA A CRUZ DE JESUS
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Jesus está cansado. Ele anda devagar, cam­baleando.
L2- "Alguém pagou alto preço pelo vosso resgate. Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo" (1 Cor 6,20).
L1- Vendo que Jesus poderia não chegar ao Cal­vário, os soldados obrigam Simão Cirineu a carregar a cruz de Jesus.
L2 - "Somos sem cessar entregues à morte por causa de Jesus, a fim de que a vida de Je­sus também seja manifestada em nossa existência mortal" (2 Cor 4,11).
L1 - Depois de alguns metros sem a cruz, Jesus é obrigado a retomá-la. Agora o Calvário está mais perto.
L2 - "Os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deve ser revela­da em nós" (Rm 8,18).
Oração:
Senhor, abristes a Simão de Cirene os olhos e o coração, dando-lhe, na partilha da cruz a graça da fé. Ajudai-nos a servir generosamente o nosso próximo, ainda que seja contrário a nossos projetos e nossas simpatias. Ensina-nos a amar e servir com coração desapegado de toda cobiça humana, para que brote do nosso intimo um verdadeiro ato de amor.
Todos: Pai nosso...

Já sem força, em sangue o rosto
um auxílio que é imposto
vem prestar-lhe o Cireneo.


SEXTA ESTAÇÃO
A VERÓNICA LIMPA O ROSTO DE JESUS
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Jesus, com a cruz às costas, carrega o peso de nossos pecados.
L2 - Jesus se tornou para nós sabedoria, justi­ça, santificação e libertação (Cf. 1 Cor 1,30).
L1 - Dentre o povo, uma mulher se aproxima; é Verônica. Ela sofre com o sofrimento de Jesus.
L2 - Nenhum dos príncipes deste mundo conhe­ceu a sabedoria de Deus. Se a tivessem co­nhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória (1 Cor 2,8).
L1 - Verônica limpa, com uma toalha, o rosto de Jesus. Na toalha fica impressa a face do Filho de Deus.
L2 - "Prefiro gloriar-me de minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. E é por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte." (2Cor 12,9-10).


Oração:
Senhor Jesus dai-nos a inquietação do coração que procura Vosso rosto.
Concedei-nos pureza de coração para ver Vossa presença nos irmãos e irmãs.
Quando não podemos realizar grandes coisas, dai-nos a coragem de uma bondade humilde, silenciosa e solícita.
Todos: Pai nosso...

Eis a face ensangüentada,
por Verônica enxugada,
que no pano apareceu.



SÉTIMA ESTAÇÃO
JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Para todos nós a vida traz alegrias e   tristezas.
Deus não quer o sofrimento, mas o aproveita em nosso favor.
L2 - "Acolhei o fraco na fé sem querer discutir sua opiniões. Quem és tu que julgas um teu irmão? Que ele fique em pé ou caia, isso é com seu patrão; mas ele ficará em pé, porque o Senhor tem o poder de o sustentar"  (Rm 14,1;4).
L1 - Jesus padece a caminho do Calvário. O seu corpo, machucado e enfraquecido, dá mos­tras de estar próximo de um esgotamento total.
L2 - "Vós conheceis a generosidade de    nosso Senhor Jesus Cristo que, por    vós, de rico que era, fez-se pobre,   para vos enriquecer com a sua     pobreza" (2 Cor 8,9).
L1 - Jesus cai. É a segunda queda. Amparado pe­los soldados, Ele se levanta.
L2 - "A carne tende para a morte, mas o Espírito tende para a vida e a paz" (Rm 8,6).

Oração:
Senhor Jesus, é nosso peso que Vos faz cair.
Livrai-nos do poder da concupiscência e do
materialismo. Tornai-nos sóbrios e vigilantes para
podermos resistir às forças do mal.
Erguei-nos para podermos levantar os outros.
Todos: Pai nosso...

No caminho vez segunda,
com que mágoa e do profunda
cai por terra o Salvador.



OITAVA ESTAÇÃO
JESUS ADMOESTA AS MULHERES DE JERUSALÉM
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Enquanto anunciava o Evangelho, Jesus era auxiliado por um grupo de mulheres.
L2 – " Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do diabo, para que possais resistir no dia mau e, depois de tudo superar, continuar de pé"( Ef 6, 13).
L1 - Agora um outro grupo de mulheres chora pelo sofrimento de Jesus.
L2 - "Vós, meus irmãos, não andais em trevas, de tal modo que esse Dia vos surpreenda como um ladrão; pois que todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas. Portanto, não durmamos como os outros" (1Ts 5,4).
L1 - O sofrimento de Jesus é um sofrimento      redentor. Ele morre por nós.
L2 - "Cristo Jesus veio ao mundo para    salvar os pecadores, dos quais eu        sou o primeiro" (1Tm 1,15).
Oração:
Senhor, às mulheres que choravam, falastes de penitência, do Dia do Juízo. Mostrai-nos a seriedade da nossa responsabilidade, o perigo de sermos encontrados, no Juízo, culpados e estéreis. Fazei com que não nos limitemos a Vos oferecer palavras de compaixão. Convertei-nos e dai-nos uma vida nova, para produzir frutos para a vida eterna.
Todos: Pai nosso...

Das matronas piedosas,
de Sião filhas chorosas
é Jesus consolador.



NONA ESTAÇÃO
JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Jesus está próximo de concluir o seu cami­nho de dor. Faltam poucos passos para o Calvário.
L2 - "Por seu sangue, somos libertados, nele nossas faltas são perdoadas, segundo  a  ri­queza   da   sua   graça "
(Ef 1,7).
L1 - Jesus não resiste e cai novamente. É a terceira queda.
L2 - "Embora de condição divina, Jesus tornou­se um de nós, também na dor e no sofrimen­to" (Fp 2,6).
L1 - Sem condições de continuar a andar, Jesus é arrastado até o lugar da crucificação.
L2 - "Aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e tudo reconciliar por meio dele e para ele, na terra e nos céus, tendo estabe­lecido a paz pelo sangue de sua cruz" (Cl 1,19-20).
Oração:
Senhor, no nosso campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. Somos nós mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras. Adão continua a cair.
Levantai-nos, pelo poder da vossa morte e ressurreição! Salvai e santificai a todos nós!
Todos: Pai nosso...

Cai terceira vez prostrado,
pelo peso redobrado,
dos pecados e da cruz.



DÉCIMA ESTAÇÃO
JESUS É DESPOJADO DAS SUAS VESTES
E DÃO-LHE A BEBER VINAGRE E FEL
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - No Calvário, Jesus é despido de suas ves­tes.
L2- "Ele despojou-se, tomando a condição de servo, tornando-se semelhante aos ho­mens" (Fp 1,7).
L1 - Ele, o Filho de Deus, está nu; até as roupas lhe são tiradas.
L2 - "Ele se rebaixou, tornando-se obediente até a morte, e morte numa cruz" (Fp 1,8).
L1 - Despido, Jesus é colocado sobre a cruz, para ser crucificado.
L2 - "Cristo morreu por nós quando ainda éra­mos pecadores" (Rm 5,8).

Oração:
Senhor Jesus, fostes despojado de Vossas vestes, exposto à desonra. Concedei-nos um respeito profundo pelo nosso corpo e o do nosso próximo; pelos que sofrem, pelos homens em todas as situações em que o encontrarmos. Dai-nos a veste luminosa de Vossa graça.
Todos: Pai nosso...

Já do algoz as mão agrestes,
as sangrentas pobres vestes,
vão tirar do bom Jesus.


DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO
JESUS É PREGADO NA CRUZ
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - É meio-dia de sexta-feira. Jesus está estendi­do sobre a cruz.
L2 - "Há um só Deus e também um só mediador entre Deus e os homens: Cristo Jesus, que se entregou como resgate por todos" (1 Tm 2,5-6).
L1 - O corpo de Jesus é preso à cruz. Ele está cru­cificado.
L2"Estou pregado na cruz com Jesus Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim"
(Gl 2,19-20).
L1 - A cruz é levantada e fixada no chão. O Filho de Deus agoniza, à espera da
morte.
L2 - "Nós pregamos um Messias crucificado, es­cândalo para os judeus, loucura para os pa­gãos, mas para os que são chamados, ele é Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus"
(1 Cor 1,23-24).
Oração:
Senhor Jesus, aceitaste a crueldade terrível do tormento da cruz, a destruição do Vosso corpo e Vossa dignidade. Ajudai-nos a não fugir perante o que somos chamados a realizar. Ajudai-nos a desmascarar a falsa liberdade que nos quer afastar de Vós e a encontrar na nossa estreita ligação convosco a verdadeira liberdade.
Todos: Pai nosso...

Sois por mim à cruz pregado,
duramente torturado,
com cegueira e com furor.



DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO
JESUS MORRE NA CRUZ
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Jesus respira com dificuldade! O seu corpo, exausto, não suporta mais a dor e o sofrimento.
L2 - "Se com ele morrermos, com ele viveremos; se com ele sofrermos, com ele reinaremos" (2 Tm 2,11-12).
L1 - Sentindo que o seu fim estava próximo, Je­sus entregou-se, com confiança, nas mãos do Pai:
L2 - "Todos me abandonaram, mas o Senhor veio me ajudar e me deu forças...O Senhor me livrará de toda obra má, me salvará, me levará para o seu reino celeste. A ele seja dada a glória para sempre! Amem"
(2Tm 4,17-18).
L1 – Jesus deu um grande grito: “Pai em    tuas mãos entrego o meu espírito”.   Dizendo isso expirou.
(Todos se ajoelham e ficam, por alguns instantes, em silêncio).
Oração:
Senhor Jesus, pregado na cruz morres pela maldade sem medida dos homens.
Ajudai-nos, na hora de escuridão e confusão a reconhecer Vosso rosto, a crer em Vós, no vosso amor, na vossa vitória. Faz que nunca Vos abandonemos, mas na hora extrema da provação, também nós, como Vossa Mãe, vos abraçemos em nosso regaço. Mostrai-Vos Senhor, a quem não Vos procura, não Vos conhece. Fazei com que Vossa salvação se manifeste.
Todos: Pai nosso...

Por meus crimes padecestes.
Meu Jesus, por mim morrestes!
Quanta angústia, quanta dor!



DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO
JESUS É DESCIDO DA CRUZ E ENTREGUE A SUA MÃE
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Depois de crucificado, e já estando morto, Je­sus foi transpassado pela lança de um solda­do romano.
L2 - "Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e completo na minha carne o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo que é a Igreja" (Cl 1,24).
L1 - Procurado por um amigo de Jesus, Pilatos au­torizou que o corpo fosse retirado da cruz.
L2 - "Se depositamos a nossa confiança em Cris­to somente para esta vida, somos os mais dignos de pena de todos os homens" (1 Cor 15,19).
L1 - Poucas horas depois de crucificado, o corpo de Jesus é descido da cruz e entregue à sua Mãe Maria e aos seus discípulos e amigos.
Oração:
Mãe das Dores, lembra-nos que a renúncia, a dor a separação da morte não são estéril, mas, vividas em união ao teu Filho, carregam uma fecundidade inesperada semelhante ao parto de uma mãe. Ensina-nos a generosidade e a confiança de quem segue a Cristo na fé e no amor na hora da provação.

Todos: Pai nosso...

Já da cruz vos despregaram,
e a Maria vos deixaram
que terrível aflição.


DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO
O CORPO DE JESUS É SEPULTADO
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.
L1 - Descido da cruz, o corpo de Jesus é sepultado num túmulo aberto na rocha.
L2  - " Vocês estão mortos, e a vida         de vocês está escondida com        Cristo em Deus. Quando         Cristo se manifestar, ele que é     a nossa vida, então vocês     também se manifestarão com      ele na glória. " (Cl 3,3).
L1-      Aquele que dera a vida agora         está morto e se­pultado. O seu        sacrifício é a nossa redenção.
L2 - "Agora, pois, não há nenhuma condenação para os que estão      em Jesus Cristo" (Rm 8,1).
L1- Deus se    humilhou até à       sepultura e não       deixou de        ser Deus.
Oração:
Senhor Jesus Cristo, Vos tornastes o grão de trigo morto que produz fruto até a eternidade. Que a Vossa Palavra cresça em nós e produza fruto, para que tenhamos a coragem de perder nossa vida para encontrá-la. Torna-nos o Vosso "suave odor" neste mundo, muitas vezes vazio e triste como um sepulcro. Fazei-nos testemunhas jubilosas pela esperança que nos destes com a Vossa morte e ressurreição.
Todos: Pai nosso...

No sepulcro vos puseram,
mas os homens tudo esperam
que os salvou vossa paixão.

DÉCIMA QUINTA ESTAÇÃO
JESUS RESSUSCITA DOS MORTOS
V. Nós Vos  adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.
R. Porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo.

L1 - Ao terceiro dia de sua morte, no domingo, Je­sus ressuscita! A morte é derrotada pela vida!
L2 - "A morte foi tragada pela vida. Ó morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?"
(1 Cor 15,55).
L1 - Vencida a morte, a vida rejubila! A escuridão se transforma em luz; o medo, em coragem e ale­gria!
L1 - Em Jesus, com Jesus e por Jesus também nós vencemos a morte! Nascemos para a Vida, e Vida em plenitude!
L2 - "Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também pelo seu poder" (1 Cor 6,14) .
Oração:
Nós te agradecemos, Pai, pelo dom da glória luminosa, fascinante que colocaste no rosto de teu Filho Ressuscitado. Nós te agradecemos porque continuas a manifestar esta glória na Igreja e através dos santos, nas suas vidas e palavras que nos edificam. Manifesta a glória do rosto de Cristo também a nós, para que algo daquele esplendor resplandeça em nós mesmos e, interiormente transformados, possamos conhecer o teu Filho Jesus e fazê-lo conhecer aos homens dos nossos tempos. Nós te pedimos, Pai, por Cristo Senhor nosso. Amém.
Todos: Pai nosso...

Meu Jesus, por vossos passos,
Recebei em vossos braços,
A mim, pobre pecador.


Novena de São José

 (de 10 a 18 de Março, ou em qualquer outro tempo)

1º dia
São José, Pai Nutrício de Jesus

Amabilíssimo São José, que tivestes a honra de alimentar, educar e abraçar o Messias, a Quem tantos profetas e reis desejaram ver e não viram: obtende-me, com o perdão das minhas culpas, a graça da oração humilde e confiante que tudo alcança de Deus. Acolhei com bondade paternal os pedidos que vos faço nesta Novena ..... e apresentai-os a Jesus que se dignou de obedecer-vos na terra.
Amém.

Para todos os dias


Rogai por nós, São José, Pai Nutrício de Jesus;...
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

OREMOS: Ó Deus que por uma inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como Protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

2º dia

São José, Esposo da Mãe de Deus

São José, castíssimo Esposo Mãe de Deus e Guarda fiel de sua virgindade: obtende-me por Maria a pureza do corpo e da alma e a vitória em todas as tentações e dificuldades. Recomendo–vos também os esposos cristãos para que unidos com sincero amor e fortalecidos pela graça, se amparem mutuamente nos sofrimentos e tribulações da vida. Amem.

Rogai por nós São José, Esposo da Mãe de Deus;
Para que sejamos... Oremos


3º dia

São José, Chefe da Sagrada Família

Glorioso S. José, que gozastes durante tantos anos da presença e filial afeição de Jesus, a Quem tivestes a dita de alimentar e vestir, juntamente com vossa Santíssima Esposa: eu vos suplico me alcanceis o dom inefável de sempre viver em união com Deus pela graça santificante. Obtende também para os pais cristãos a graça do fiel cumprimento de seus graves deveres de educadores e, aos filhos, o respeito e a obediência segundo o exemplo do Menino Jesus. Amém.

Rogai por nós, São José, Chefe da Sagrada Família;
Para que sejamos... Oremos:

 4º dia

São José, Exemplo de Fidelidade

Fidelíssimo São José, que nos destes tão belo exemplo no fiel cumprimento de vossos deveres de Protetor da Santíssima Virgem e de Pai Nutrício do Redentor: rogo-vos me obtenhais a graça de imitar o vosso exemplo na fidelidade a todos os deveres do meu estado de vida. Ajudai-me a ser fiel nas coisas pequenas para o ser também nas grandes Alcançai essa mesma graça para todos que me são caros nesta vida, a fim de chegarmos a gozar no céu o prêmio prometido aos que forem fiéis até a morte. Amém.

Rogai por nós, São José, Exemplo de Fidelidade;
Para que sejamos... Oremos:

 5º dia

São José, Espelho de Paciência

Bondoso São José, que suportastes com heróica paciência as provações e adversidades na viagem a Belém, na fuga para o Egito e durante a vida oculta em Nazaré e me destes o exemplo de admirável conformidade com a vontade de Deus: obtende-me a virtude da paciência nas dificuldades de cada dia. Alcançai também invencível paciência a todos que suportam pesadas cruzes, a fim de que se unam sempre mais a Jesus, divino modelo de mansidão e paciência. Amém.

Rogai por nós São José, Espelho de Paciência;
Para que sejamos... Oremos:
6º dia

São José, Modelo dos Operários

Humilde São José, que, vivendo em pobreza, dignificastes a vossa profissão pelo trabalho constante e vos sentistes feliz em servir a Jesus e Maria com o fruto de vossos suores: alcançai-me amor ao trabalho, que foi imposto como dever de estado, para que procure cumprir nisto sempre a vontade de Deus. Protegei os lares dos Operários do Brasil contra as influências nefastas dos inimigos de Cristo e da Santa Igreja. Obtende-lhes a graça de santificarem o seu trabalho pela reta intenção em tudo conformados com os desígnios da Divina Providência. Amém.

Rogai por nós, São José, Modelo dos Operários;

Para que sejamos...Oremos:


 7º dia

São José, Protetor da Santa Igreja

Glorioso Patriarca São José, Protetor e Padroeiro da Igreja Universal : obtende-me a graça de amar a Igreja como Mãe e de a honrar como verdadeiro discípulo de Cristo. Rogo-vos que veleis sobre o Seu Corpo Místico, como outrora velastes sobre Jesus e Maria. Protegei o Santo Padre e os Bispos, os Sacerdotes e os Religiosos. Alcançai-lhes santidade de vida e eficácia no apostolado. Guardai a inocência da infância, a castidade da juventude, a honestidade do lar, o ordem e paz da Sociedade. Amém.

Rogai por nós, São José, Protetor da Santa Igreja;
Para que sejamos...Oremos:

 8º dia

São José, Esperança dos Enfermos

Compassivo São José, esperança dos doentes e necessitados: valei-me em todas as enfermidades e tribulações, alcançando-me plena conformidade com os admiráveis desígnios de Deus. Obtende-me também para mim e para todos, pelos quais rezo nesta Novena, a cura das enfermidades espirituais que são as paixões desordenadas, fraquezas, faltas e pecados e protegei-nos contra as tentações do inimigo da nossa salvação. Amém.

Rogai por nós, São José, Esperança dos Enfermos;
Para que sejamos... Oremos:
 9º dia

São José, Padroeiro dos Moribundos

Ditoso São José que, morrendo nos braços de Jesus e Maria, partistes deste mundo ornado de Virtudes e enriquecido de méritos, assisti-me na hora suprema e decisiva da minha vida contra os ataques do poder infernal, obtende-me a graça de morrer confortado com os Santos Sacramentos, necessários para a minha salvação. Tendo compaixão de todos os agonizantes e alcançando-lhes a graça da salvação por intermédio de Maria, vossa Santíssima Esposa. Amém.

Rogai por nós, São José, Padroeiro dos Moribundos;
Para que sejamos... Oremos:

Pode acrescentar-se todos os dias:

ORAÇÃO: Glorioso São José, que fostes exaltado pelo Eterno Pai, obedecido pelo Verbo Encarnado, favorecido pelo Espírito Santo e amado pela Virgem Maria: Louvo e bendigo a Santíssima Trindade pelos privilégios e méritos com que vos enriqueceu. Sois poderosíssimo e jamais se ouviu dizer que alguém tenha recorrido a vós e fosse por vós desamparado.

Sois o Consolador dos aflitos, o amparo dos míseros e o advogado dos pecadores. Acolhei, pois, com bondade paternal a quem vos invoca com filial confiança e alcançai-me as graças que vos peço nesta Novena . . . Eu vos escolho por meu especial Protetor. Sede, depois de Jesus e Maria, minha consolação nesta terra, meu refúgio nas desgraças, meu guia nas incertezas, meu conforto nas tribulações; meu pai solícito em todas as necessidades. Obtende-me finalmente, como coroa dos vossos favores, uma boa e santa morte na graça de Nosso Senhor.Assim seja.

(Retirada da: Novena a São José - Livraria Padre Reus - Porto Alegre)





Oração pelo Santo Padre

℣. Tu es Petrus,
℟. Et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam.
℣. Oremus pro Pontifice nostro Benedicto.
℟. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.

Oremus.
   Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum Benedictum, quem pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti, propitius respice: da ei, quaesumus, verbo et exemplo, quibus praeest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam. Per Christum, Dominum nostrum. ℟. Amen.

Português:
℣. Oremos pelo nosso Pontífice Bento
℟.O Senhor o guarde e o fortaleça, lhe dê a felicidade nesta terra e não o abandone á perversidade dos seus inimigos.
℣. Tu és Pedro!
℟. E sobre esta pedra edificarei a minha Igreja!

Oremos.
Ó Deus Pastor e guia dos vossos fiéis, olhai com bondade o vosso servo, o Papa Bento, que constituístes Pastor da vossa Igreja; dai-lhe, por sua palavra e exemplo, velar sobre o rebanho que lhe foi confiado para chegar com ele à vida eterna. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
Oração pelo Santo Padre, os Bispos...
Deus e Senhor Nosso, protegei a vossa Igreja, daí-lhe santos Pastores e dignos Ministros. Derramai as vossas bênçãos sobre o nosso Santo Padre o Papa; sobre o nosso Bispo (Cardeal-Arcebispo, Arcebispo [e seu (s) Bispo (s)] Auxiliar es, sobre o nosso Pároco, sobre todo o Clero; sobre o Chefe da Nação (e o do Estado), e sobre todas as pessoas constituídas em dignidade, para que governem com justiça. - Daí ao povo brasileiro paz constante e prosperidade completa. - Favorecei, com os efeitos contínuos da vossa bondade, o Brasil, este (Arce) Bispado, a Paróquia em que habitamos, a cada um de nós em particular, e a todas as pessoas por quem somos obrigados a orar, ou que se recomendaram às nossas orações. - Tende misericórdia das almas dos fiéis, que padecem no purgatório. Daí-lhes, Senhor, o descanso e a luz eterna.
Pai-nosso/Ave-Maria/Glória.
 "Vossa consagração ao Senhor no silêncio e no anonimato faz-se fecunda e rica de frutos, não apenas no que se refere ao caminho de santificação e purificação pessoal, mas também com respeito ao apostolado de intercessão que desenvolveis por toda a igreja, para que possa ser pura e santa diante do Senhor.

Vós, que bem conheceis a eficácia da oração, experimentais diariamente quantas graças de santificação esta pode obter para a Igreja. Como não ser acometido pela compaixão para com aqueles que parecem vagar sem meta? Como não desejar que suas vidas encontrem Jesus, o único que dá sentido à existência.
Reconheceis que é o Senhor que colocou em vossos corações o seu amor, desejo que dilata o coração, até torná-lo capaz de acolher o próprio Deus. Este é o horizonte do peregrinar terreno! Esta é vossa meta.
Por essa razão escolhestes viver no anonimato e na renúncia aos bens terrenos: por desejar acima de qualquer coisa aquele bem ao qual não há par, aquela pedra preciosa que merece a renúncia de todos os demais bens para ser possuída".
(Santo Padre Bento XVI)


2 DE FEVEREIRO
16. APRESENTAÇÃO DO SENHOR

Festa
– Maria oferece Jesus ao Pai.
– Iluminar com a luz de Cristo.
– Jesus Cristo, sinal de contradição.

Quarenta dias após o nascimento do seu Filho, Nossa Senhora dirigiu-se ao Templo para oferecê-lo ao Senhor e pagar o resgate simbólico estabelecido na Lei de Moisés. Com toda a piedade e amor, Maria ofereceu o Menino a Deus Pai e deu-nos exemplo de como deve ser o oferecimento das nossas obras a Deus.

A Apresentação do Filho está unida à Purificação da Mãe. A Santíssima Virgem quis cumprir o que estava prescrito na Lei, ainda que nunca houvesse entrado naquele Templo criatura alguma tão pura e cheia de graça. Ambos os mistérios estão englobados na liturgia da Missa. Ao longo dos séculos, foi considerada ora festa do Senhor, ora festa mariana. Já era celebrada em Jerusalém em fins do século IV. A partir de então, estendeu-se pelo Oriente e pelo Ocidente, e para a sua celebração fixou-se o dia 2 de fevereiro.

A procissão com os círios significa a luz de Cristo anunciada por Simeão no Templo – Luz para iluminar as nações – e propagada através da atuação de cada cristão.

I. E DE REPENTE VIRÁ ao seu Templo o Senhor a quem buscais, o mensageiro da Aliança que desejais: vede-o entrar...

Quarenta dias após o seu nascimento, Jesus chega ao Templo nos braços de Maria para ser apresentado ao Senhor, como mandava a lei judaica. Só Simeão e Ana, movidos pelo Espírito Santo, reconhecem o Messias naquele Menino. A liturgia recolhe no Salmo responsorial as aclamações que, de modo simbólico, se cantavam muito provavelmente à entrada da Arca da Aliança. Agora atingem a sua mais plena realidade: Portões, abri os vossos dintéis, levantai-vos portas eternas: eis que vem o Rei da glória!

Depois da circuncisão, era necessário cumprir duas cerimônias, conforme prescrevia a Lei: o filho primogênito devia ser apresentado ao Senhor e depois resgatado; e a mãe devia purificar-se da impureza legal contraída. Lia-se no Êxodo: ... E o Senhor disse a Moisés: Declara que todo o primogênito me será consagrado. Todo o primogênito dos filhos de Israel, seja homem ou animal, pertence-me sempre. Esta oferenda recordava a libertação milagrosa do povo de Israel do seu cativeiro do Egito. Todos os primogênitos eram apresentados a Javé, e depois restituídos ao povo.

Nossa Senhora preparou o seu coração, como só Ela o podia fazer, para apresentar o seu Filho a Deus Pai e oferecer-se Ela mesma com Ele. Ao fazê-lo, renovava o seu faça-se e punha uma vez mais a sua vida nas mãos de Deus. Jesus foi apresentado ao seu Pai pelas mãos de Maria. Nunca se fez nem se tornaria a fazer uma oblação semelhante naquele Templo.

A festa de hoje convida-nos a entregar ao Senhor, uma vez mais, a nossa vida, pensamentos, obras..., todo o nosso ser. E podemos fazê-lo de muitas maneiras. Hoje, nestes minutos de oração, podemos servir-nos das palavras de Santo Afonso Maria de Ligório, invocando Santa Maria como intercessora: “Minha Rainha, seguindo o vosso exemplo, também eu quereria oferecer hoje a Deus o meu pobre coração [...]. Oferecei-me como coisa vossa ao Pai Eterno, em união com Jesus, e pedi-lhe que, pelos méritos do seu Filho, e em vossa graça, me aceite e me tome por seu”. Por meio de Santa Maria, o Senhor acolherá uma vez mais a entrega que lhe fizermos de tudo o que somos e temos.

II. MARIA E JOSÉ chegaram ao Templo dispostos a cumprir fielmente o que estava estabelecido na Lei. Apresentaram como resgate simbólico a oferenda dos pobres: duas pombas. E saiu-lhes ao encontro o ancião Simeão, homem justo, que esperava a consolação de Israel. O Espírito Santo manifestou-lhe o que estava oculto aos outros. Simeão tomou o Menino em seus braços e, louvando a Deus, disse: Agora, Senhor, já podes deixar partir o teu servo em paz, segundo a tua palavra; porque os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste ante a face de todos os povos, luz para iluminar as nações e glória do teu povo, Israel. É um cântico de alegria. Toda a sua existência consistira numa ardente espera do Messias.

São Bernardo, num sermão dedicado a esta festa, fala-nos de um costume de antiqüíssima tradição, de que temos muitos outros testemunhos: a procissão dos círios. “Hoje – diz-nos o Santo –, a Virgem Maria leva ao templo do Senhor o Senhor do templo. José apresenta a Deus não o seu filho, mas o Filho amado e predileto de Deus; e Ana, a viúva, também o proclama. Estes quatro celebraram a primeira procissão, que depois teria a sua continuação em todos os cantos da terra e por todas as nações”.

A liturgia desta festa quer manifestar, com efeito, que a vida do cristão é como uma oferenda ao Senhor, traduzida na procissão dos círios acesos que se consomem pouco a pouco, enquanto iluminam. Cristo é profetizado como a Luz que tira da escuridão o mundo sumido em trevas. A luz, na linguagem corrente, é símbolo devida (“dar à luz”, “ver a luz pela primeira vez” são expressões intimamente ligadas ao nascimento), de verdade (“caminhar às escuras” é sinônimo de ignorância e de confusão), de amor (diz-se que o amor “se acende” quando duas pessoas aprendem a querer-se profundamente...). As trevas, pelo contrário, indicam solidão, desorientação, erro... Cristo é a Vida do mundo e dos homens, Luz que ilumina, Verdade que salva, Amor que conduz à plenitude... Levar uma vela acesa – na procissão que hoje se realiza onde é possível, antes da Missa – é sinal de se estar desperto, em vigília, de se participar da luz de Cristo, da vibração apostólica que devemos transmitir aos outros.

Seus pais maravilharam-se do que se dizia dEle. Maria, que guardava no seu coração a mensagem do Anjo e dos pastores, escuta novamente admirada a profecia de Simeão sobre a missão universal do seu Filho: a criança que sustenta nos seus braços é a Luz enviada por Deus Pai para iluminar todas as nações: é a glória do seu povo.

É um mistério ligado à oferenda feita no Templo e que nos recorda que a nossa participação na missão de Cristo, que nos foi conferida no batismo, está estritamente ligada à nossa entrega pessoal. A festa de hoje é um convite a darmo-nos sem medida, a “arder diante de Deus, como essa luz que se coloca sobre o candelabro para iluminar os homens que andam em trevas; como essas lamparinas que se queimam junto do altar, e se consomem alumiando até se gastarem”. Meu Deus, dizemos hoje ao Senhor, a minha vida é para Ti; não a quero se não for para gastá-la junto de Ti. Para que outra coisa haveria de querê-la?

O mesmo São Bernardo recorda-nos que “está proibido apresentar-se ao Senhor de mãos vazias”. E como nos vemos somente com coisas pequenas para oferecer (o trabalho do dia, um sorriso no meio da fadiga...), devemos considerar na nossa oração “como a Virgem faz acompanhar esta oferenda de tão alto preço com outra de tão pouco valor como eram aquelas pombas que a Lei mandava oferecer, a fim de que tu aprendas a juntar os teus pobres serviços aos de Cristo e, com o valor e preço dos dEle, sejam recebidos e apreciados os teus [...].

“Junta, pois, as tuas orações às dEle, as tuas lágrimas às dEle, as tuas penitências e vigílias às dEle, e oferece-as ao Senhor, para que o que de per si é de pouco preço, por Ele seja de muito valor.

“Uma gota de água, em si mesma, não é senão água; mas lançada numa grande jarra de vinho, ganha outro ser mais nobre e torna-se vinho; e assim as nossas obras, que por serem nossas são de pouco valor, acrescentadas às de Cristo adquirem um preço inestimável, em virtude da graça que nEle nos é dada”.

III. SIMEÃO ABENÇOOU os pais do Menino e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está posto para ruína e ressurreição de muitos em Israel, e para sinal de contradição. E uma espada atravessará a tua alma, a fim de que se descubram os pensamentos escondidos nos corações de muitos.

Jesus traz a salvação a todos os homens; no entanto, para alguns será sinal de contradição, porque se obstinam em rejeitá-lo. “Os tempos em que vivemos confirmam com particular veemência a verdade contida nas palavras de Simeão. Jesus é luz que ilumina os homens e, ao mesmo tempo, sinal de contradição. E se agora [...] Jesus Cristo se revela novamente aos homens como luz do mundo, porventura não se transformou ao mesmo tempo naquele sinal a que, hoje mais do que nunca, os homens se opõem?” Ele não passa nunca indiferente pelo caminho dos homens, não passa indiferente agora, neste tempo, pela nossa vida. Por isso queremos pedir-lhe que seja a nossa luz e a nossa Esperança.

O Evangelista narra também que Simeão, depois de se referir ao Menino, se dirigiu inesperadamente a Maria, vinculando de certo modo a profecia relativa ao Filho com outra que se relacionava com a mãe: Uma espada atravessará a tua alma. “Com estas palavras do ancião, o nosso olhar desloca-se do Filho para a Mãe, de Jesus para Maria. É admirável o mistério deste vínculo pelo qual Ela se uniu a Cristo, àquele Cristo que é sinal de contradição”.

Estas palavras dirigidas à Virgem anunciavam que Ela estaria intimamente unida à obra redentora do seu Filho. A espada a que Simeão se refere expressa a participação de Maria nos sofrimentos do Filho; é uma dor indescritível, que atravessa a sua alma. O Senhor sofreu na Cruz pelos nossos pecados; e esses mesmos pecados de cada um de nós forjaram a espada de dor da nossa Mãe. Portanto, temos um dever de reparação e desagravo não só em relação a Jesus, mas também à sua Mãe, que é também Mãe nossa.

(Homilia de Francisco Fernández Carvajal sacerdote)


NOVENA DA IMACULADA.

MEDITAÇÕES
 de

Don Francisco Fernández Carvajal


30 DE NOVEMBRO. PRIMEIRO DIA DA NOVENA
44. ESTRELA DA MANHÃ
– Maria, prefigurada e anunciada no Antigo Testamento.
– Nossa Senhora, luz que ilumina e orienta.
– “Estrela do mar”.
O povo cristão, por inspiração do Espírito Santo, sempre soube aproximar-se de Deus através da sua Mãe. Pelas provas constantes das suas graças e favores, chamou-a Onipotência suplicante, e soube encontrar nEla o atalho que abrevia o caminho para Deus. O amor “inventou” numerosas formas de tratá-la e honrá-la. Hoje começamos esta Novena, em que procuraremos oferecer todos os dias algo de especial a Nossa Senhora, para preparar a Solenidade da sua Imaculada Conceição.
I. APARECEU UMA ESTRELA no meio da escuridão e anunciou ao mundo em trevas que a Luz estava para chegar. O nascimento da Virgem foi o primeiro sinal de que a Redenção estava próxima. “A aparição de Nossa Senhora no mundo é como a chegada da aurora que precede a luz da salvação, Cristo Jesus; é como o desabrochar sobre a terra da mais bela flor que alguma vez brotou no jardim da humanidade: o nascimento da criatura mais pura, mais inocente, mais perfeita, mais digna da definição que o próprio Deus deu do homem, ao criá-lo: imagem de Deus, semelhança de Deus. Maria restitui-nos a figura da humanidade perfeita”1. Nunca os anjos tinham contemplado uma criatura tão bela, nunca a humanidade terá nada de parecido.
A Virgem Santa Maria tinha sido anunciada ao longo do Antigo Testamento. Já nos começos da Revelação se fala dEla. No anúncio da Redenção, depois da queda dos nossos primeiros pais2, Deus dirige-se à serpente e diz-lhe: Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás ciladas ao seu calcanhar. A mulher é em primeiro lugar Eva, que foi tentada e sucumbiu; e, num nível mais profundo, a mulher é Maria, a nova Eva, de quem nascerá Cristo, absoluto vencedor do demônio simbolizado na serpente. Perante o seu poder, o demônio não poderá fazer nada de eficaz. NEla se dará a maior inimizade que se pode conceber na terra entre a graça e o pecado. O profeta Isaías anuncia Maria como a Mãe virginal do Messias3. São Mateus assinala expressamente o cumprimento desta profecia4.
A Igreja também aplica a Maria o elogio que o povo de Israel dirigiu a Judite, sua salvadora: Tu és a glória de Jerusalém, tu a alegria de Israel, tu a honra do nosso povo; porque procedeste varonilmente e o teu coração esteve cheio de coragem5. Palavras que se cumprem em Maria de modo perfeito. Porventura não colaborou Maria para nos livrar de um inimigo maior que Holofernes, a quem Judite cortou a cabeça? Não cooperou para nos livrar do cativeiro definitivo?6
A Igreja aplica ainda a Maria outros textos que, embora se refiram em primeiro lugar à Sabedoria de Deus, sugerem, no entanto, que, no plano divino da salvação, estabelecido desde a eternidade, está contida a imagem de Nossa Senhora. Ainda não havia os abismos, e eu já estava concebida; ainda as fontes das águas não tinham brotado7. E como se a Escritura se antecipasse, evocando o amor puríssimo que reinaria no seu Coração dulcíssimo, lemos: Eu sou a mãe do amor formoso, do temor, da ciência e da santa esperança. Vinde a mim, todos os que me desejais, e enchei-vos dos meus frutos; porque o meu espírito é mais doce que o mel [...]. Aquele que me ouve não será confundido; e os que se guiam por mim não pecarão8. E, vislumbrando a sua Conceição Imaculada, o Cântico dos cânticos anuncia: És toda formosa, amiga minha, e não há mancha em ti9. E o Eclesiástico anuncia de uma maneira profética: Em mim se encontra toda a graça de doutrina e de verdade, toda a esperança de vida e de virtude10. “Com quanta sabedoria a Igreja colocou essas palavras na boca da nossa Mãe, para que nós, os cristãos, não as esqueçamos! Ela é a segurança, o Amor que nunca abandona, o refúgio constantemente aberto, a mão que acaricia e consola sempre”11. Procuremos a sua ajuda e consolo nestes dias, enquanto nos preparamos para celebrar a grande solenidade da sua Imaculada Conceição.
II. DO MESMO MODO que Maria se encontra no alvorecer da Redenção, nos próprios começos da revelação, encontra-se também na origem da nossa conversão a Cristo, na nossa santidade e na nossa salvação. Por Ela chegou-nos Cristo, e por Ela chegaram-nos e continuarão a chegar-nos todas as graças que nos sejam necessárias.
A Santíssima Virgem facilitou-nos o caminho para recomeçarmos tantas vezes e livrou-nos de inumeráveis perigos, que por nós mesmos não teríamos podido vencer. Ela oferece-nos todas as coisas que conservava no seu coração12 e que dizem respeito diretamente a Jesus: “leva-nos pela mão ao encontro do Senhor”13. A humanidade encontrou em Maria o primeiro sinal de esperança, e todos os homens e mulheres encontram nEla a luz que ilumina e orienta. “Ela não tem brilho próprio, brilho que brote dEla mesma, mas reflete o seu e nosso Redentor, e dá-lhe glória constantemente. Quando surge no meio das trevas, sabemos que Ele está perto, ao alcance da nossa mão”14.
Diz-se que os navegantes recorriam à estrela mais brilhante do firmamento quando se sentiam desorientados no meio do oceano ou quando desejavam verificar ou retificar o rumo. Nós recorremos a Maria quando nos sentimos perdidos, quando queremos retificar a direção da nossa vida e orientá-la em linha reta para Deus: Ela é “a estrela do mar da nossa vida”15. A Liturgia chama-a “esperança segura de salvação”, que brilha “no meio das dificuldades da vida”16, dessas tempestades que aparecem sem sabermos como, ou em que nos metemos por não estarmos perto de Deus. E é São Bernardo que nos aconselha: “Não afastes os olhos do resplendor dessa Estrela, se não queres ser destruído pelas borrascas”17.
De Maria dimana uma luz especial que ilumina o caminho que devemos seguir nas diferentes tarefas e assuntos da nossa vida. De modo especial, Maria ilumina o esplêndido caminho da vocação a que cada um foi chamado. Quando recorremos a Ela com pureza de intenção, sempre acertamos no cumprimento da vontade de Deus.
A claridade especial que encontramos em Maria provém da plenitude de graça que cumulou a sua alma desde o primeiro instante em que foi concebida, bem como da sua missão corredentora. São Tomás assinala que essa graça se derrama sobre todos os homens. “Já é grande para um santo – afirma – ter tanta graça que seja suficiente para a salvação de muitos, e o máximo seria tê-la em medida suficiente para salvar todos os homens do mundo; isto verifica-se em Cristo, bem como na Santíssima Virgem”18, pela sua íntima união corredentora com o seu Filho.
Os teólogos distinguem a plenitude absoluta de graça, que é própria de Cristo; a plenitude de suficiência, comum a todos os anjos; e a plenitude de sobreabundância, que é privilégio de Maria, e que se derrama a mãos cheias sobre os seus filhos. A Virgem “é de tal maneira cheia de graça que ultrapassa na sua plenitude os anjos; por isso, com razão, é chamada Maria, que quer dizeriluminada [...], e significa, além disso, iluminadora de outros, por referência ao mundo inteiro”19, diz São Tomás de Aquino.
Hoje, neste primeiro dia da Novena da Imaculada, fazemos o propósito de pedir-lhe ajuda sempre que nos encontremos às escuras, sempre que tenhamos de retificar o rumo da nossa vida ou tomar uma decisão importante. E, como sempre estamos recomeçando, recorreremos a Ela para que nos mostre o caminho que devemos seguir, aquele que nos confirma na nossa vocação, e pedir-lhe ajuda para que possamos percorrê-lo com garbo humano e sentido sobrenatural.
III. A VIRGEM é bendita entre as mulheres porque esteve isenta do pecado e das marcas que o mal deixa na alma: “Apenas Ela conjurou a maldição, trouxe a bênção e abriu a porta do Paraíso. É por isso que lhe convém o nome de Maria, que significa Estrela do mar; assim como a estrela do mar orienta os navegantes até o porto, Maria dirige os cristãos para a glória”20. A Liturgia da Igreja honra-a assim: Ave, maris stella!... Salve, estrela do mar!, Mãe excelsa de Deus...21
Neste primeiro dia da Novena, fazemos o firme propósito – tão grato à Virgem! – de recorrer à sua intercessão em qualquer necessidade em que nos encontremos, seguindo o conselho de um Padre da Igreja: “Se se levantarem os ventos das tentações, se tropeçares com os escolhos da tentação, olha para a Estrela, chama por Maria. Se te agitarem as ondas da soberba, da ambição ou da inveja, olha para a estrela, chama por Maria. Se a ira, a avareza ou a impureza impelirem violentamente a nave da tua alma, olha para Maria. Se, perturbado com a lembrança dos teus pecados, confuso ante a fealdade da tua consciência, temeroso ante a idéia do juízo, começares a afundar-te no poço sem fundo da tristeza ou no abismo do desespero, pensa em Maria. Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Não se afaste Maria dos teus lábios, não se afaste do teu coração; e, para conseguires a sua ajuda intercessora, não te afastes tu dos exemplos da sua virtude. Não te extraviarás se a segues, não desesperarás se a chamas, não te perderás se nEla pensas. Se Ela segurar as tuas mãos, não cairás; se te proteger, não terás nada que temer; não te cansarás, se Ela for o teu guia; chegarás felizmente ao porto, se Ela te amparar”22. Pomos todos os dias da nossa vida sob o seu amparo. Ela nos levará por um caminho seguro. Cor Mariae dulcissimum iter para tutum, Coração dulcíssimo de Maria, preparai-nos um caminho seguro.
(1) Paulo VI, Homilia, 8-IX-1964; (2) Gên 3, 15; (3) Is 7, 14; (4) Mt 1, 22-23; (5) Jud 15, 9-10; (6) cfr. C. Pozo, María en la Escritura y en la fe de la Iglesia, págs. 32 e segs.; (7) Prov 8, 24; (8) Eclo 24, 24-30; (9) Cânt 4, 7; (10) Eclo 24, 25; (11) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 279; (12) Lc 2, 51; (13) cfr. João Paulo II, Homilia, 20-X-1979; (14) Card. J. H. Newman, Rosa mística, Palabra, Madrid, 1982, pág. 137; (15) João Paulo II, Homilia, 4-VI-1979; (16) cfr. Liturgia das Horas, Hino de laudes no dia 15 de agosto; (17) São Bernardo, Homilias sobre a Virgem Mãe, 2; (18) São Tomás, Sobre a Ave-Maria; (19) ib.; (20) ib.; (21) Hino Ave, maris stella; (22) São Bernardo, op. cit.




NOVENA DA IMACULADA. 1º DE DEZEMBRO. SEGUNDO DIA DA NOVENA
45. CASA DE OURO
– Santa Maria, Templo do Deus vivo, enriquecida pelos dons do Espírito Santo.
– Os dons do entendimento, ciência e sabedoria em Nossa Senhora.
– Os dons da prudência, piedade, fortaleza e temor de Deus.
I. BEM-AVENTURADA és tu, ò Virgem Maria, morada consagrada do Altíssimo...1
Na ladainha lauretana, chamamos a Maria Domus aurea, Casa de ouro, recinto de intensíssimo esplendor. Quando uma família mora numa casa e a converte num lar, este reflete as peculiaridades, gostos e preferências dos seus moradores. A casa e os que nela habitam constituem uma certa unidade, como o corpo e a roupa, como o conhecimento e a ação. No Antigo Testamento, o primeiro Tabernáculo, e depois o Templo, eram a Casa de Deus, onde tinha lugar o encontro de Javé com o seu Povo. Quando Salomão decidiu construir o Templo, os Profetas especificaram os materiais nobres que se deviam empregar, como a madeira em abundância no seu interior, revestimento de ouro... Deveria empregar-se na construção o melhor que tinham ao seu alcance, e deveriam trabalhar nele os melhores artífices de que dispunham.
Quando chegou a plenitude dos tempos e Deus decretou a sua vinda ao mundo, preparou Maria como a criatura adequada em que habitaria durante nove meses, desde a sua Encarnação até o seu nascimento em Belém. NEla, Deus imprimiu a marca do seu poder e do seu amor. Maria, Domus aurea, o novo Templo de Deus, foi revestida de uma formosura tão grande que não foi possível outra maior. A sua Imaculada Conceição e todas as graças e dons com que Deus enriqueceu a sua alma estiveram em função da sua Maternidade divina2.
Entende-se muito bem que o Arcanjo Gabriel, ao saudar Maria, se tenha mostrado cheio de respeito e veneração, pois compreendeu a imensa excelência da Virgem e a sua intimidade com Deus. A graça inicial de Maria, que a preparava para a sua Maternidade divina, foi superior à de todos os Apóstolos, mártires, confessores e virgens juntos, superior à de todas as almas santas e à de todos os anjos criados desde a origem do mundo3. Deus preparou uma criatura humana de acordo com a dignidade do seu Filho.
Quando dizemos que Maria tem uma dignidade “quase infinita”, queremos indicar que é a criatura mais próxima da Santíssima Trindade e que goza de uma honra e majestade altíssimas, inteiramente singulares. É a Filha primogênita do Pai, a predileta, como foi chamada tantas vezes na Tradição da Igreja e o Concílio Vaticano II repetiu4. Com Jesus Cristo, Filho de Deus, Nossa Senhora mantém o estreito laço da consangüinidade, que a faz ter com Ele umas relações absolutamente próprias. Maria é Templo e Sacrário do Espírito Santo5. Que alegria podermos ver, especialmente nestes dias da Novena, que temos uma Mãe tão próxima de Deus, tão pura e bela, e tão próxima de nós!
“Como gostam os homens de que lhes recordem o seu parentesco com personagens da literatura, da política, do exército, da Igreja!...
“– Canta diante da Virgem Imaculada, recordando-lhe:
“Ave, Maria, Filha de Deus Pai; Ave, Maria, Mãe de Deus Filho; Ave, Maria, Esposa de Deus Espírito Santo... Mais do que tu, só Deus!”6
II. A ALMA DE MARIA foi singularmente enriquecida pelos dons do Espírito Santo, que são como que as jóias mais preciosas que Deus pode conceder ao ser humano. Com eles, Deus adornou em grau supremo a morada do seu Filho.
Pelo dom do entendimento, que teve num grau superior ao de qualquer criatura, Maria teve conhecimento com uma fé pura, radicada na autoridade divina, de que a sua virgindade era sumamente grata ao Senhor. O seu olhar penetrou com a maior profundidade no sentido oculto das Escrituras, e compreendeu imediatamente que a saudação do Anjo era estritamente messiânica e que a Santíssima Trindade a tinha designado como Mãe do Messias esperado há tanto tempo. Depois teria sucessivas iluminações que confirmariam o cumprimento das promessas divinas de salvação e compreenderia que “deveria viver no sofrimento a sua obediência de fé ao lado do Salvador que sofre, e que a sua maternidade seria obscura e dolorosa”7.
O dom do entendimento está intimamente ligado à pureza de alma, e é por isso que se relaciona com a bem-aventurança dos limpos de coração, que verão a Deus8. A alma de Maria, a Puríssima, gozou de especiais iluminações que a levaram a descobrir o querer de Deus em todos os acontecimentos. Ninguém soube melhor do que Ela o que Deus espera de cada homem; por isso, é a nossa melhor aliada nos pedidos que dirigimos a Deus nas nossas necessidades.
O dom da ciência ampliou ainda mais o olhar da fé de Maria. Por meio dele, a Virgem contemplava nas realidades cotidianas as marcas de Deus no mundo, como pistas para chegar até o Criador, e julgava retamente a relação de todas as coisas e acontecimentos com a salvação. Influenciada por esse dom, tudo lhe falava de Deus, todas as coisas a levavam a Deus9. Entendeu melhor do que ninguém a terrível realidade do pecado, e por isso sofreu, como nenhuma outra criatura, pelos pecados dos homens. Intimamente associada à dor do seu Filho, padeceu com Ele “quando morria na Cruz, cooperando de forma totalmente singular na restauração da vida sobrenatural das almas”10.
O dom da sabedoria aperfeiçoou a sua caridade e levou-a a ter um conhecimento gozoso e experimental do divino e a saborear na sua intimidade os mistérios que se referiam especialmente ao Messias, seu Filho. A sua sabedoria era amorosa, infinitamente superior à que se pode obter dos mais profundos tratados de Teologia. Via, contemplava, amava e ordenava todas as coisas de acordo com essa experiência divina; julgava-as com a luz poderosa e amorosa que inundava o seu coração. Se lho pedirmos com insistência, Ela no-lo alcançará, pois “entre os dons do Espírito Santo, diria que há um de que todos nós, cristãos, necessitamos especialmente: o dom da sabedoria, que nos faz conhecer e saborear Deus, e nos coloca assim em condições de podermos avaliar com verdade as situações e as coisas desta vida”11.
III. O DOM DE CONSELHO aperfeiçoou a virtude da prudência na Virgem e fez com que sempre descobrisse prontamente a Vontade de Deus nas situações correntes da vida. Agiu como que sob o ditado de Deus12 e deixou-se guiar docilmente, quer nas grandes coisas que Deus lhe pediu, quer nos pormenores corriqueiros do dia-a-dia.
O Evangelho mostra-nos como a nossa Mãe Santa Maria se deixou conduzir continuamente por essa luz do Espírito Santo. Viveu a maior parte da sua vida no retiro de Nazaré, mas quando a sua presença se fez necessária junto da sua prima Isabel, foi com pressa13 às montanhas para estar ao lado dela. Ocupa um lugar discreto nos episódios narrados pelo Evangelho, mas está com os discípulos quando eles precisam dEla depois da morte de Jesus, e a seguir espera com eles a vinda do Espírito Santo. Permanece ao pé da Cruz, mas não vai ao sepulcro com as outras santas mulheres: na intimidade da sua alma, sabia que elas não encontrariam o corpo amado do seu Filho, porque já tinha ressuscitado. Viveu totalmente entregue aos pequenos afazeres de uma mãe que cuida da família, e percebeu antes que ninguém que ia faltar vinho nas bodas de Caná: a sua vida contemplativa fê-la estar atenta às pequenas coisas que aconteciam à sua volta. Ela é a Mãe do Bom Conselho – Mater boni consilii –, que nos ajudará, nos mil pequenos episódios de cada dia, a descobrir e secundar o querer de Deus.
O dom da piedade deu à Virgem uma espécie de instinto filial que afetava profundamente todas as suas relações com Jesus: na oração, à hora de pedir, na maneira como enfrentava os diversos acontecimentos, nem sempre agradáveis...
Maria sentiu-se sempre Filha de Deus, e esse sentimento profundo foi crescendo continuamente até o fim da sua vida mortal. Mas, ao mesmo tempo, sentia-se Mãe de Deus e Mãe dos homens. Tanto a sua filiação como a sua Maternidade estavam profundamente saturadas de piedade. Ela sempre nos amará, porque somos seus filhos. E uma mãe está mais perto do filho doente, daquele que mais precisa dela.
A graça divina derramou-se sobre Nossa Senhora de modo abundantíssimo, e encontrou nEla uma cooperação e docilidade excepcionais: viveu com heroísmo a fidelidade aos pequenos deveres de todos os dias e nas grandes provas. Teve uma vida simples, como a das outras mulheres da sua terra e da sua época, mas também passou pela maiores amarguras que uma criatura pode experimentar, à exceção do seu Filho, que foi o Varão de dores anunciado pelo profeta Isaías14.
Pelo dom da fortaleza, que recebeu em grau máximo, pôde acolher com paciência as contradições diárias, as mudanças de planos... Enfrentou silenciosamente as dificuldades, mas com firmeza e valentia. Por essa fortaleza, esteve de pé junto da Cruz15. A piedade cristã, venerando essa sua atitude de dor e de fortaleza, invoca-a como Rainha dos mártires, Consoladora dos aflitos...
Finalmente, o Espírito Santo adornou-a com o santo temor de Deus, que nEla foi apenas uma reverência filial de altíssima intimidade com o Senhor, que a levou a uma atitude de adoração contínua perante o Deus infinito, de quem recebera todas as coisas. Por isso chamou-se a si mesma a Escrava do Senhor.
(1) Cfr. Missas da Virgem Maria, A Virgem, templo do Senhor, Antífona da Comunhão; (2) cfr. São Tomás, Summa theologica, III, q. 27, a. 5 ad 2; (3) cfr. R. Garrigou-Lagrange, A Mãe do Salvador, pág. 411; (4) cfr. Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 53; (5) cfr. João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 25-III-1987, 9; (6) Josemaría Escrivá,Caminho, n. 496; (7) João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 16; (8) Mt 5, 8; (9) cfr. J. Polo, Maria y la Santísima Trinidad, Madrid, 1987, MC n. 460, pág. 29; (10) Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 61; (11) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 133; (12) cfr. J. Polo, op. cit., pág. 39; (13) Lc 1, 39; (14) Is 53, 3; (15) cfr. Jo 19, 25.

NOVENA DA IMACULADA. 2 DE DEZEMBRO. TERCEIRO DIA DA NOVENA
46. ESCRAVA DO SENHOR
– A vocação de Maria.
– Deus chama-nos.
– Meios para conhecer a vontade do Senhor.
I. O MEU ESPÍRITO exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na baixeza da sua escrava1.
Quando chegou a plenitude dos tempos, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré2. O Senhor dirige-se a quem mais amava nesta terra e serve-se para isso de um mensageiro excepcional, pois era excepcional a mensagem que lhe queria comunicar: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus...3, diz-lhe o Arcanjo São Gabriel.
A Virgem, como fruto da sua meditação, conhecia bem as Escrituras e as passagens que se referiam ao Messias, e eram-lhe familiares as diversas formas empregadas para designá-lo. Além disso, unia-se a esse conhecimento a sua extraordinária sensibilidade interior para tudo o que dizia respeito ao Senhor. Num instante, por uma graça particular, foi-lhe revelado que ia ser a Mãe do Messias, do Redentor de quem tinham falado os Profetas. Ia ser a virgem anunciada por Isaías4, que conceberia e daria à luz o Emmanuel, o Deus conosco. A resposta da Virgem é uma reafirmação da sua entrega à vontade divina: Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra5.
A partir desse momento, o Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, fez-se carne nas suas entranhas puríssimas. Foi o que de mais admirável e assombroso aconteceu desde a Criação do mundo. E aconteceu num pequeno povoado desconhecido, na intimidade de Maria. A Virgem compreendeu a sua vocação, os planos de Deus a seu respeito. Agora sabia o motivo de tantas graças do Senhor, a razão das suas qualidades, por que tinha sido sempre tão sensível às inspirações do Espírito Santo. “Todos os pequenos episódios que constituíam a trama da sua existência – e essa mesma existência na sua totalidade – ganhavam agora um relevo imprevisto; ao som das palavras do anjo, tudo teve uma explicação absoluta, mais que metafísica, sobrenatural. Foi como se, de repente, a Virgem se tivesse colocado no centro do universo, para além do tempo e do espaço”6.
E Ela, uma adolescente, não titubeia diante da grandeza incomensurável de ser a Mãe de Deus, porque é humilde e confia no seu Deus, a quem se entregou plenamente. A Virgem Santa Maria é “Mestra de entrega sem limites [...]. Pede a esta Mãe boa que ganhe força na tua alma – força de amor e de libertação – a sua resposta de generosidade exemplar: «Ecce ancilla Domini» – eis a escrava do Senhor”7. Senhor, conta comigo para o que quiseres. Não quero pôr limite algum à tua graça, ao que me vais pedindo todos os dias, todos os anos. Nunca deixas de pedir, nunca deixas de dar.
II. “ESTE FATO FUNDAMENTAL de ser a Mãe do Filho de Deus é, desde o princípio, uma abertura total à pessoa de Cristo, a toda a sua obra e à sua missão”8.
Neste terceiro dia da Novena da Imaculada, a Virgem ensina-nos a estar sempre abertos a Deus, numa entrega plena à chamada que cada um recebe do Senhor. A grandeza de uma vida consiste em podermos dizer ao fim dela: Senhor, sempre procurei cumprir a tua vontade, não tive outro fim nesta terra.
A vocação a que fomos chamados é o maior dom recebido de Deus, o dom para o qual o Senhor nos criou, aquilo que nos torna felizes. Deus chama-nos a todos e quer algo importante de nós, desde o momento em que nos chamou à existência. A grandeza do homem consiste em conhecer a vontade divina e levá-la a cabo, tornando-se colaborador de Deus na obra da Criação e da Redenção. Encontrar a vocação é encontrar um tesouro, a pérola preciosa9. Gastar todas as energias nela é encontrar o sentido da vida, a plenitude do ser.
Deus chama alguns à vida religiosa ou ao sacerdócio; “mas quer a grande maioria dos homens no meio do mundo, nas ocupações terrenas. Estes cristãos devem, pois, levar Cristo a todos os ambientes em que desenvolvem as suas tarefas humanas: à fábrica, ao laboratório, ao cultivo da terra, à oficina do artesão, às ruas das grandes cidades e aos caminhos de montanha”, e ali devem eles agir “de tal modo que, através das ações do discípulo, se possa descobrir o rosto do Mestre”10.
Contemplando a vocação de Santa Maria, compreendemos melhor que as chamadas feitas pelo Senhor são sempre uma iniciativa divina, uma graça que parte dEle: Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi11. Não poucas vezes, cumprem-se ao pé da letra as palavras da Escritura: Os meus caminhos não são os vossos caminhos...12 O que tínhamos forjado na nossa imaginação, talvez com tanto entusiasmo, tem às vezes pouco a ver com os projetos do Senhor, que sempre são maiores, mais altos e mais belos.
A vocação também não é a culminância de uma vida de piedade intensa, ainda que normalmente seja necessário um clima de oração e de amor para entender o que Deus nos diz silenciosamente, sem muito ruído. Nem sempre coincide com as nossas inclinações e gostos, ordinariamente muito humanos e pegados à terra. A vocação não pertence à ordem do sentimento, mas à ordem do ser; é algo objetivo que Deus nos preparou desde sempre. Em cada homem, em cada mulher, cumprem-se as palavras de São Paulo aos cristãos de Éfeso13, tantas vezes meditadas: Elegit nos in ipso ante mundi constitutionem..., “o Senhor escolheu-nos antes da criação do mundo, por amor, para sermos santos e imaculados na sua presença”.
Ordinariamente, Deus procura para as suas obras pessoas correntes, simples, às quais comunica as graças necessárias. Ensina São Tomás, referindo-se à Virgem, que “àqueles a quem Deus escolhe para uma missão, prepara-os de modo que sejam idôneos para desempenhar essa missão para a qual foram escolhidos”14. Isso é válido para todos nós. Portanto, se alguma vez nos parece difícil levarmos a cabo a missão a que fomos chamados, sempre poderemos dizer: porque tenho vocação para esta missão, tenho as graças necessárias e poderei cumpri-la. Deus me ajudará, se fizer tudo o que está ao meu alcance.
O Senhor pode preparar uma vocação desde a infância, mas também pode apresentar-se de modo súbito e inesperado, como aconteceu com São Paulo na estrada de Damasco15. Geralmente, serve-se de outras pessoas para preparar a chamada definitiva ou para dá-la a conhecer. Com freqüência, são os próprios pais quem, mesmo sem o perceberem, cumprindo a sua missão de educadores na fé, preparam o terreno onde germinará a semente da vocação, que só Deus põe na alma. Que grandeza poderem ser assim instrumentos de Deus! O que não fará Deus por eles? Outras vezes, serve-se de um amigo ou de uma moção interior que penetra como espada de dois gumes, e, freqüentemente, das duas coisas ao mesmo tempo.
Se existe um verdadeiro desejo de conhecer a vontade de Deus, se se empregam os meios sobrenaturais e a alma é sincera na direção espiritual, o Senhor dá então muito mais garantias de acertar na própria vocação do que em qualquer outro assunto. “Queres viver a audácia santa, para conseguir que Deus atue através de ti? – Recorre a Maria, e Ela te acompanhará pelo caminho da humildade, de modo que, diante dos impossíveis para a mente humana, saibas responder com um “fiat!” – faça-se! – que una a terra ao Céu”16. É uma audácia que nos será necessária no momento em que dissermos sim a Deus e seguirmos a nossa vocação, e depois muitas vezes ao longo da vida, pois Deus nos chama todos os dias, a todas as horas. E se alguma vez depararmos com “impossíveis”, deixarão de sê-lo se formos humildes e contarmos com a graça, como fez nossa Mãe Santa Maria.
III. A VIRGEM ENSINA-NOS que, para acertarmos no cumprimento da vontade divina (que pena se nos tivermos empenhado – por uns caminhos ou outros – em satisfazer os nossos caprichos!), é necessária uma disponibilidade completa. Só podemos cooperar com Deus quando nos entregamos completamente a Ele, deixando-o agir na nossa vida com total liberdade. “Deus não pode comunicar a sua vontade se não começa por haver na alma da criatura esta apresentação íntima, esta consagração profunda. Deus respeita sempre a liberdade humana, não atua diretamente nem se impõe a não ser na medida em que o deixamos agir”17.
A vida da Virgem Maria indica-nos também que, para ouvirmos o Senhor em todas as circunstâncias, devemos esmerar-nos no trato com Ele: ponderar, como Ela, as coisas no nosso coração, dar-lhes peso e conteúdo sob o olhar de Cristo: aprender a meditar, levantar o ponto de mira dos nossos ideais. A direção espiritual, junto com a oração, pode ser de grande ajuda para entendermos o que Deus quer e vai querendo de nós. E também o será o desprendimento dos nossos gostos, para aderirmos com firmeza àquilo que Deus nos pede, ainda que alguma vez possa parecer-nos difícil e árduo.
A resposta da Virgem foi como um programa daquilo que seria depois a sua vida: Ecce ancilla Domini... Ela não teria outro fim senão cumprir a vontade de Deus. Podemos deixar hoje nas mãos da Virgem um sim que Ela possa apresentar ao seu Filho, um sim sem reservas nem condições, que perdure e se desdobre em outros sins ao longo da nossa vida.
(1) Missas da Virgem Maria, Santa Maria Escrava do Senhor; Lc 1, 47-48; Antífona de entrada da Missa do dia 2 de dezembro; (2) Lc 1, 26; (3) Lc 1, 30-33; (4) Is 7, 14; (5) Lc 1, 38; (6) F. Suárez, A Virgem Nossa Senhora, pág. 14; (7) cfr. Josemaría Escrivá, Sulco, n. 33; (8) João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater; (9) cfr. Mt 13, 44-46; (10) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 105; (11) Jo 15, 16; (12) Is 55, 8; (13) Ef 1, 4; (14) São Tomás, S.Th., III, q. 27, a. 4 c; (15) cfr. At 9, 3; (16) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 124; (17) M. D. Philippe, Mistério de Maria, págs. 86-87.


NOVENA DA IMACULADA. 3 DE DEZEMBRO. QUARTO DIA DA NOVENA
48. CAUSA DA NOSSA ALEGRIA
– A alegria verdadeira chega ao mundo com Maria.
– Ela ensina-nos a ser motivo de alegria para os outros.
– Abandonar toda a tristeza.
I. Ó DEUS, QUE PELA ENCARNAÇÃO do vosso Filho enchestes o mundo de alegria, concedei-nos, aos que veneramos a sua Mãe, causa da nossa alegria, que permaneçamos sempre no caminho dos vossos mandamentos, para que os nossos corações estejam firmes na verdadeira alegria1.
A verdadeira alegria está em Deus, e tudo o que nos chega dEle sempre vem com esse sinal. Quando Deus criou este mundo do nada, e de modo especial quando criou o homem à sua imagem e semelhança, tudo foi uma festa. Há uma alegria contida na expressão com que se conclui o relato da criação: E Deus viu que era muito bom tudo o que tinha feito2. Os nossos primeiros pais desfrutavam de tudo o que existia e exultavam no amor, louvor e gratidão a Deus. Não conheciam a tristeza.
Mas chegou o primeiro pecado, e com ele algo de perturbador envolveu o coração humano. A clara e luminosa alegria foi substituída pelo pesar, e a tristeza infiltrou-se no íntimo das coisas. Com a Imaculada Conceição de Maria, veio ao mundo, silenciosamente, o primeiro fulgor de alegria autêntica. O seu nascimento foi um imenso júbilo para a Santíssima Trindade, que olhava comprazida para o mundo porque nele estava agora presente a Virgem Maria. E com o faça-se, pelo qual Nossa Senhora deu o seu assentimento aos planos divinos da Redenção, esse júbilo derramou-se sobre toda a humanidade.
Quando Deus “quer trabalhar uma alma, elevá-la ao cume do seu amor, estabelece-a primeiro na sua alegria”3. Foi o que a Santíssima Trindade fez com a Virgem. E a plenitude dessa alegria é dupla: em primeiro lugar, porque Maria está cheia de graça, cheia de Deus, como nunca esteve nem chegará a estar nenhuma outra criatura; em segundo lugar, porque desde o momento do seu assentimento à embaixada do Anjo, o Filho de Deus assumiu a natureza humana nas suas entranhas puríssimas: com Ele, chegou aos homens toda a alegria verdadeira. O anúncio do seu nascimento em Belém será levado a cabo com estas significativas palavras: Não temais, porque eis que vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo. Nasceu-vos na cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor4. Cristo é a grande alegria, que cura as tristezas do coração; e Nossa Senhora foi a Causa da nossa alegria verdadeira, porque com o seu assentimento deu-nos Cristo, e atualmente, todos os dias, nos leva a Ele e no-lo entrega novamente.
O caminho da vida interior conduz a Jesus por meio de Maria. A alegria – não podemos esquecê-lo nunca – é estar com Jesus, ainda que nos vejamos rodeados de dores e contradições por todos os lados; a única tristeza seria não o possuir. “Esta experiência viva de Cristo e da nossa unidade é o lugar da esperança e é, portanto, fonte de gosto pela vida; e deste modo, torna possível a alegria; uma alegria que não se vê obrigada a esquecer ou a censurar nada para ter consistência”5.
II. A VIRGEM LEVA A ALEGRIA aonde quer que vá. E aconteceu que, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo6. É a proximidade de Maria, que leva no seu seio o Filho de Deus, a causa de tanto alvoroço naquela casa, de um alvoroço que até o Batista ainda não nascido manifesta no ventre de sua mãe. “Na presença do Senhor – escreve São João Crisóstomo –, não pode conter-se nem suporta esperar os prazos da natureza, mas procura romper a prisão do seio materno e cuida de dar testemunho de que o Salvador está prestes a chegar”7.
A Virgem ensina-nos a ser causa de alegria para os outros no seio da família, no trabalho, nas relações com as pessoas com quem convivemos ou com quem entramos em contacto, mesmo de passagem, como por exemplo numa entrevista, numa viagem ou no ponto de espera de um ônibus que demora a chegar.
Deve acontecer-nos o mesmo que a essas fontes que existem em muitos povoados, onde as mulheres do lugar vão buscar água. Umas carregam grandes vasilhas, e a fonte as enche; outras são menores, e também ficam cheias até à borda; outras estão sujas, e a fonte as limpa... Sempre acontece que todo o cântaro que vai à fonte volta cheio. E assim deve acontecer na nossa vida: qualquer pessoa que se aproxime de nós deve partir com mais paz, com alegria. Todo aquele que nos visite por estarmos doentes, ou por amizade, vizinhança, relações de trabalho..., deve despedir-se de nós um pouco mais alegre.
A água da fonte, normalmente, vem de outro lugar. A origem da nossa alegria está em Deus, e a Virgem leva-nos a Ele. Quando uma fonte não tem água, enche-se de muita sujidade; como a alma que deixou de ser manancial de paz para os outros, porque possivelmente as suas relações com o Senhor não são claras. “Não há alegria? Então pensa: há um obstáculo entre Deus e mim. – Quase sempre acertarás”8. E uma vez descoberto esse obstáculo, Nossa Senhora ajudar-nos-á a tirá-lo.
A alegria – ensina São Tomás de Aquino – nasce do amor9. E o amor tem tanta força “que esquecemos a nossa alegria para alegrar aqueles que amamos. E verdadeiramente é assim, a tal ponto que, mesmo que sejam grandíssimos os trabalhos, sabendo que contentam a Deus, tornam-se doces”10. O trato com Jesus faz-nos passar por cima das diferenças ou pequenas antipatias que podem surgir em algum momento, para chegarmos ao fundo da alma daqueles com quem convivemos, freqüentemente sedentos de um sorriso, de uma palavra amável, de uma resposta cordial.
Neste quarto dia da Novena à Imaculada, podemos examinar como é a nossa alegria: se é caminho para que os outros encontrem a Deus, se somos luz e não cruz para aqueles com quem estamos habitualmente numa relação mais intensa. Hoje, podemos oferecer a Nossa Senhora o propósito firme e sincero de ser semeadores de alegria, de “tornar amável e fácil o caminho aos outros, que já bastantes amarguras traz a vida consigo”11. É um modo cordial de imitarmos a Virgem, que dos Céus nos sorrirá e nos animará a seguir por esse caminho ao encontro do seu Filho. E isso tanto nos dias em que nos seja fácil alegrar os outros, como também naqueles em que, por cansaço ou por estarmos sobrecarregados, sorrir e manifestar bom-humor nos custe um pouco mais. Nessas ocasiões, a nossa Mãe do Céu – Mater amabilis – ajudar-nos-á especialmente.
III. AQUELES QUE ESTIVERAM perto de Nossa Senhora participaram da imensa alegria e da paz inefável que inundavam a sua alma, pois nEla se refletia “a riqueza e a formosura com que Deus a engrandeceu. Principalmente, por ter sido redimida e preservada em Cristo, e nEla reinarem a vida e o amor divinos. A isso se referem algumas invocações da ladainha: Mãe amável, Mãe admirável, Virgem prudentíssima, poderosa, fiel... Sempre uma nova alegria brota dEla, quando está diante de nós e a olhamos com respeito e amor. E se, ao contemplá-la, alguma fração da sua formosura vem e penetra na nossa alma, tornando-a também formosa, como se torna grande a nossa alegria!”12 Não nos custa nada imaginar como todos os que tiveram a felicidade de conhecê-la desejariam estar perto dEla! Os vizinhos viriam com freqüência à sua casa, e os amigos, e os parentes... Ninguém ouviu dos seus lábios queixas ou lamentações pessimistas, mas presenciou apenas os seus desejos de servir, de dar-se, convertidos em detalhes.
Quando a alma está alegre – com penas e lágrimas, às vezes – extravasa-se e é estímulo para os outros; a tristeza, pelo contrário, obscurece o ambiente e faz-lhe mal. Assim como a traça come o vestido, e o caruncho a madeira, assim a tristeza prejudica o coração do homem13; e prejudica a amizade, a vida de família..., tudo: predispõe para o mal. Por isso, devemos lutar rapidamente contra esse estado de ânimo, se alguma vez nos pesa no coração: Fixa o teu coração na santidade do próprio Deus e afugenta para longe de ti a tristeza. Porque a tristeza tem matado a muitos, e não há utilidade nela14.
O esquecimento de si mesmo, uma serena despreocupação pelos problemas próprios, que poucas vezes são realmente importantes, uma confiança mais plena em Deus são condições necessárias para estarmos alegres e servirmos os que nos rodeiam. Quem anda preocupado consigo mesmo dificilmente encontrará a alegria, que é abertura para Deus e para os outros. Em contrapartida, a nossa alegria será em muitas ocasiões um caminho para que os outros encontrem a Deus.
A oração abre a alma ao Senhor, e é nela que podemos encontrar forças para aceitar uma contrariedade, para abandonar nas mãos de Deus as coisas que nos preocupam; é a oração que nos leva a ser mais generosos e a fazer uma boa Confissão, se a raiz da nossa tristeza e mau-humor estiver na tibieza ou no pecado.
Terminamos a nossa oração dirigindo-nos à Virgem: “Causa nostrae laetitiae!, Causa da nossa alegria, rogai por nós! Ensinai-nos a saber acolher na fé o paradoxo da alegria cristã, que nasce e floresce da dor, da renúncia, da união com o vosso Filho crucificado: fazei com que a nossa alegria seja sempre autêntica e plena, para podermos comunicá-la a todos”15.
Ofereçamos à nossa Mãe do Céu, neste dia da Novena, o firme propósito de rejeitarmos sempre a tristeza e de sermos causa de paz e de alegria para os outros.
(1) Missas da Virgem Maria, II, Missa de Santa Maria, Causa da nossa alegria. Oração coleta; (2) Gên 1, 31; (3) M. D. Philippe, Mistério de Maria, pág. 134; (4) Lc 2, 10-11; (5) L. Giussani, La utopia y la presencia, em 30 Dias, 8.9.1990, pág. 9; (6) Lc 1, 41; (7) São João Crisóstomo, Sermão recolhido por Metafrasto; (8) Josemaría Escrivá, Caminho, n. 662; (9) São Tomás, Summa theologica, II-II, q. 28, a. 4; (10) Santa Teresa, Livro das Fundações, 5, 10; (11) cfr. Josemaría Escrivá, Sulco, n. 63; (12) F. M. Moschner, Rosa mística, Rialp, Madrid, 1957, pág. 180; (13) Prov 25, 20; (14) Ecle 30, 24-25; (15) João Paulo II, Homilia, 31-V-1979
NOVENA DA IMACULADA. 4 DE DEZEMBRO. QUINTO DIA DA NOVENA
49. ROSA MÍSTICA
- Sempre com Jesus. Vida de oração.
- Aprender a rezar.
-As orações vocais. O Santo Rosário.

I. MARIA CONSERVAVA todas estas coisas, meditando-as no seu coração
1. E a sua mãe conservava todas estas coisas no seu coração2. Por duas vezes o Evangelista se refere a esta atitude de Maria diante dos acontecimentos: uma na noite de Belém, e a outra em Nazaré, ao regressar de Jerusalém depois de encontrar Jesus no Templo. A insistência do Evangelista parece um eco da repetida reflexão de Maria, que deve tê-la confidenciado aos Apóstolos depois da Ascensão de Jesus aos céus.

A Virgem conservava e meditava. Sabia recolher-se interiormente, guardava e avaliava na sua intimidade, isto é, tornava tema da sua oração os grandes e pequenos acontecimentos da sua vida. Esta oração contínua de Maria é como o aroma da rosa ?que se eleva constantemente para Deus. Essa elevação nunca cessa, tem um frescor primaveril; é sempre jubilosamente nova e virginal. Se a brisa das nossas orações ou os ventos tempestuosos deste mundo passam por Ela e a tocam, o perfume da sua oração eleva-se então em tons mais fortes e perceptíveis; Maria converte-se em intercessora, incluindo a nossa oração na sua para apresentá-la ao Pai em Jesus Cristo, seu Filho?
3.

Quando estava nesta terra, a Virgem não fazia nada que não fosse por referência ao seu Filho: cada vez que falava com Jesus, e quando o fitava, quando lhe sorria ou pensava nEle, orava, pois a oração é isso: é falar com Deus
4.

Em Caná da Galiléia, nas bodas daqueles parentes ou amigos, ensina-nos com que delicadeza e insistência devemos pedir. Apesar de ser a Mãe de Jesus, de o ter embalado nos seus braços, Maria abstém-se de lhe indicar o que pode fazer. Expõe a necessidade e deixa o resto ao critério do Filho, na certeza de que a solução que Ele der ao problema, seja qual for e em que sentido for, será a melhor, a mais conveniente. Deixa a mais ampla liberdade ao Senhor, para que faça a sua vontade sem compromissos nem violências. Mas isso porque estava certa de que a vontade do Filho era o que de mais perfeito se podia fazer e o que deveras resolvia a questão. Não tolhe os movimentos do seu Filho, antes confia na sua sabedoria, no seu conhecimento superior, na sua visão mais ampla e profunda das circunstâncias que Ela provavelmente desconhecia. Nossa Senhora nem sequer considerou se Jesus acharia conveniente ou não intervir: expõe o que sucede e abandona-o nas suas mãos. É que a fé compromete o Senhor muito mais do que os argumentos mais sagazes e contundentes?5.

Ao pé da Cruz, a Virgem anima-nos a estar sempre junto de Jesus, em oração silenciosa, nos momentos mais duros da vida. E a última notícia que dEla nos dá o Evangelho no-la retrata entre os Apóstolos, orando com eles6, à espera da chegada do Espírito Santo.
O Santo Evangelho facilita-nos brevemente o caminho para entendermos o exemplo da nossa Mãe: Maria conservava todas estas coisas dentro de si, ponderando-as no seu coração (Lc 2, 19). Procuremos nós imitá-la, conversando com o Senhor, num diálogo enamorado, de tudo o que se passa conosco, até dos acontecimentos mais triviais. Não esqueçamos que temos de pesá-los, avaliá-los, vê-los com olhos de fé, para descobrir a Vontade de Deus?7. É a isso que nos deve levar a nossa meditação diária: a identificar-nos plenamente com Jesus, a dar um conteúdo divino aos pequenos acontecimentos diários.

II. O AROMA DA NOSSA ORAÇÃO deve subir constantemente ao nosso Pai-Deus. Mais ainda: pedimos a Nossa Senhora que já está no Céu em corpo e alma que diga a Jesus constantemente coisas boas de nós: Recordare, Virgo Mater Dei, dum steteris in conspectu Domini, ut loquaris pro nobis bona... Lembrai-vos, Virgem Mãe de Deus, quando estiverdes na presença do Senhor, de dizer-lhe coisas boas em nosso favor
8
. E Ela, do Céu, anima-nos a nunca abandonar a oração, o trato com Deus, pois a oração é a nossa fortaleza diária.

Devemos chegar a um trato cada vez mais íntimo com o Senhor na nossa oração mental nesses tempos diários que dedicamos a falar-lhe silenciosamente dos nossos assuntos, a dar-lhe graças, a pedir-lhe ajuda e a dizer-lhe que o amamos...e mediante a oração vocal, empregando muitas vezes as palavras que serviram a tantas gerações para elevar os seus corações e os seus pedidos ao Senhor e à sua Santíssima Mãe.

A oração robustece-nos contra as tentações. Às vezes, leva-nos a ouvir as mesmas palavras que Jesus dirigiu aos seus discípulos no horto de Getsêmani: Por que dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação
9. Devemos rezar sempre, mas há momentos em que temos de fazê-lo mais intensamente, porque talvez sejam maiores as dificuldades familiares ou profissionais, ou mais fortes as tentações. A oração mantém-nos vigilantes contra o inimigo que ataca e fortalece-nos o espírito perante as dificuldades.
A Virgem Santa Maria ensina-nos hoje a ponderar no nosso coração e a dar sentido na presença de Deus a tudo aquilo que constitui a nossa vida: ao que nos parece uma grande desgraça, às pequenas contrariedades, às alegrias, à rotina do trabalho diário, às trivialidades da vida familiar, à amizade...

Como Maria, acostumemo-nos a procurar o Senhor na intimidade da nossa alma em graça. ?Alegra-te com Ele no teu recolhimento interior. Alegra-te com Ele, já que o tens tão perto. Deseja-o aí; adora-o aí; não o procures fora de ti, porque te distrairás e te cansarás, e não o encontrarás; não poderás fruir dEle com maior certeza nem com mais rapidez nem mais perto do que dentro de ti?10.

Nenhuma pessoa neste mundo soube tratar Jesus como a sua Mãe; e, depois dEla, São José, que passou longas horas olhando-o, contemplando-o, falando com Ele dos pequenos assuntos diários, com simplicidade e veneração. Se recorrermos a eles com fé antes de começarmos a nossa oração mental diária, veremos como nos ajudam a conversar afetuosamente com o Senhor nesses minutos de silêncio e de colóquio íntimo.

III. NA ORAÇÃO MENTAL, falamos com o Senhor de pessoa a pessoa, entendemos o que Ele quer de nós, vemos com outra profundidade o conteúdo da Sagrada Escritura, pois a compreensão tanto das coisas como das palavras transmitidas cresce quando os fiéis as contemplam e estudam, repassando-as no seu coração11.

Juntamente com esse ponderar as coisas no coração?, também é muito grata ao Senhor a oração vocal, como o foi sem dúvida a da Virgem, pois Ela certamente recitaria Salmos e outras fórmulas contidas no Antigo Testamento, próprias do povo hebreu12. Quando começamos o trabalho, ao terminá-lo, ao caminharmos pela rua, ao subirmos ou descermos as escadas da nossa casa..., a nossa alma inflama-se com as orações vocais e a nossa vida converte-se, pouco a pouco, numa contínua oração: recitamos o Pai-Nosso, a Ave-Maria, jaculatórias que nos ensinaram ou que aprendemos ao lermos e meditarmos o Santo Evangelho, extraídas das palavras com que muitos personagens que se aproximavam do Senhor lhe pediam que os curasse, perdoasse, abençoasse... Algumas dessas jaculatórias foram-nos ensinadas quando éramos pequenos: ?São frases ardentes e singelas, dirigidas a Deus e à sua Mãe, que é nossa Mãe. Ainda hoje  recordava o Bem-aventurado Josemaría Escrivá, de manhã e à tarde, não um dia, mas habitualmente, renovo aquele oferecimento de obras que os meus pais me ensinaram: Ó Senhora minha, ó minha Mãe!, eu me ofereço todo a Vós. E, em prova do meu afeto filial, vos consagro neste dia os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração... Não será isto de certa maneira um princípio de contemplação, demonstração evidente de confiado abandono?13

A oração Lembrai-vos, a Salve-Rainha..., encerram para muitos cristãos a recordação e a candura da primeira vez em que as rezaram. Não deixemos que essas belíssimas orações se percam; cumpramos o dever de ensiná-las aos outros. De modo muito particular, podemos esmerar-nos nestes dias da Novena na recitação do terço, pois tem sido recomendada com tanta insistência pela Igreja.

O Papa Pio IX encontrava-se no seu leito de morte, e um dos prelados que o assistiam perguntou-lhe em que pensava naquelas horas supremas. E o Papa respondeu-lhe:Veja: estou contemplando docemente os quinze mistérios que adornam as paredes desta sala, que são outros tantos quadros de consolo. Se soubesse como me animam! Contemplando os mistérios gozosos, não me lembro das minhas dores; pensando nos dolorosos, sinto-me extremamente confortado, pois vejo que não estou sozinho no caminho da dor, mas que Cristo vai à minha frente; e quando considero os gloriosos, sinto uma grande alegria, e parece-me que todas as minhas penas se convertem em resplendores de glória. Como me consola o rosário neste leito de morte!? E dirigindo-se depois aos que o rodeavam, disse: ?O rosário é um Evangelho compendiado e dará aos que o recitam os rios de paz de que nos fala a Sagrada Escritura; é a devoção mais bela, mais rica em graças e gratíssima ao coração de Maria. Seja este, meus filhos, o meu testamento, para que vos lembreis de mim na terra?14.

Façamos hoje o propósito de aproveitar melhor o tempo que dedicamos à meditação diária e às orações vocais, especialmente ao terço, por meio do qual alcançaremos graças sem conta para nós e para aqueles que queremos aproximar do Senhor.

(1) Lc 2, 19; (2) Lc 2, 51; (3) F. M. Moshner, Rosa mística, pág. 201; (4) cfr. Card. J. H. Newman, Rosa mística, pág. 79; (5) F. Suaréz, A Virgem Nossa Senhora, pág. 246-247; (6) At 1, 14; (7) São Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 285; (8) cfr. Graduale Romanum, 1979, pág. 422; (9) Lc 22, 46; (10) São João da Cruz, Cântico espiritual, 1, 8; (11) Conc. Vat. II, Const. Dei Verbum, 8; (12) cfr. F. M. Willam, Vida de Maria, pág. 160; (13) São Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 296; (14) cfr. H. Marín, Doctrina Pontificia IV: Documentos marianos, BAC, Madrid, 1954, n. 322.
NOVENA DA IMACULADA. 5 DE DEZEMBRO. SEXTO DIA DA NOVENA
50. MÃE AMÁVEL
-Jesus deu-nos a sua Mãe como Mãe nossa.
- Mãe amável, acolhedora, de olhar misericordioso.
-Aprender a tratar mais e melhor com Nossa Senhora.

I. A VIRGEM CONVERTEU-SE em Mãe de todos os homens no momento em que consentiu livremente em ser Mãe de Jesus, o primogênito entre muitos irmãos. Esta maternidade de Maria é superior à maternidade natural humana1, pois ao dar à luz corporalmente o seu Filho, Jesus Cristo, Cabeça do Corpo Místico que é a Igreja, gerou espiritualmente todos os seus membros: ?Ela é verdadeiramente afirma o Concílio Vaticano II  Mãe dos membros de Cristo [...] porque cooperou pela caridade para que nascessem na Igreja os fiéis que são os membros desta Cabeça2.

Quando Jesus foi pregado na Cruz, estavam junto dEle Maria, sua Mãe, São João, o discípulo amado, e algumas santas mulheres. O Senhor dirigiu então à sua Mãe essas palavras que tiveram e terão tanta transcendência na vida de todos os homens, de cada um de nós: Mulher disse à Virgem, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua Mãe3.

Impressiona-nos ver Cristo esquecido de si: dos seus sofrimentos, da sua solidão. Comove-nos o seu imenso amor à sua Mãe: não quer que fique só; vê a dor de Maria e assume-a dentro do seu Coração, para oferecê-la também ao Pai pela redenção dos homens. Comove-nos o gesto de Jesus para com todos os homens bons e maus, mesmo os endurecidos pelo pecado representados em João. Dá-nos a sua Mãe como Mãe nossa; olha para cada um de nós e diz-nos: Eis aí a tua Mãe, cuida bem dela, recorre a Ela, aproveita esse dom inefável.

Nesses momentos em que Jesus consumava a sua obra redentora, Maria uniu-se intimamente ao seu sacrifício por uma cooperação mais direta e mais profunda na obra da nossa salvação. A maternidade espiritual da Santíssima Virgem foi confirmada pelo próprio Cristo na Cruz4.
Eis aí o teu filho.Esse foi o segundo Natal. Maria tinha dado à luz o seu Filho primogênito sem dor alguma na gruta de Belém; agora dá à luz o seu segundo filho, João, no meio das dores da Cruz. Nesse momento, Maria sofre as dores do parto, não apenas por João, seu segundo filho, mas pelos milhões de outros filhos seus que a chamariam Mãe ao longo dos tempos. Agora compreendemos por que o Evangelista chamou a Jesus filho primogênito de Maria, não porque Ela viesse a ter outros filhos da sua carne, mas porque geraria muitos outros com o sangue do seu coração5, com uma dor redentora, cheia de frutos, pois estava unida ao sacrifício do seu Filho. Compreendemos bem que a maternidade de Maria em relação a nós, sendo de uma ordem diversa, seja superior à maternidade das mães na terra, pois Ela nos gera para uma vida sobrenatural e eterna.
Eis aí o teu filho. Estas palavras produziram na alma da Virgem um aumento de caridade, de amor materno por nós; e no coração de João, um amor filial profundo e cheio de respeito pela Mãe de Deus. Este é o fundamento da nossa devoção à Virgem.

Podemos perguntar-nos neste dia da Novena qual é o lugar que a Virgem ocupa na nossa vida. Temos sabido acolhê-la como João? Chamamo-la muitas vezes Mãe, minha Mãe... Tratamo-la bem.

II. MATERNIDADE QUER DIZER solicitude e desvelo pelo filho. É o que acontece com a Virgem em relação a todos os homens. Intercede por cada um de nós e obtém as graças específicas e oportunas de que necessitamos. Jesus diz de si mesmo que é o Bom Pastor que chama cada uma das suas ovelhas pelo seu nome, nominalmente6; algo de parecido se passa com a Virgem, Mãe espiritual de cada um dos homens. Assim como os filhos são diferentes e únicos para a sua mãe, da mesma maneira cada um de nós é único para Santa Maria. Ela nos conhece bem, sabe distinguir-nos de qualquer outro, chama-nos pelo nosso nome com um acento inconfundível.
A sua maternidade abarca a pessoa inteira, alma e corpo. Mas a sua ação maternal, mesmo a que se exerce sobre o corpo, tem por fim restaurar a vida sobrenatural nas almas7, a santidade, uma identificação mais perfeita com o seu Filho. Nesta tarefa, a Virgem é a colaboradora por excelência do Espírito Santo, que é quem dá a vida sobrenatural e a mantém.
A maternidade de Maria não é a mesma para todos os homens. Maria é Mãe de um modo excelente dos bem-aventurados do Céu, que já não podem perder a vida da graça. É Mãe de modo perfeito dos cristãos em graça, porque têm a vida sobrenatural completa. É Mãe daqueles que estão afastados de Deus pelo pecado mortal; com a sua misericórdia, procura atraí-los continuamente para o seu Filho. E é Mãe mesmo daqueles que não estão batizados, já que estão destinados à salvação, pois Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade8.
Mãe por excelência, a Virgem tem sempre para nós um sorriso nos lábios, um gesto acolhedor, um olhar que convida à confiança; sempre está disposta a entender o que se passa no nosso coração; nEla devemos descarregar as nossas penas, aquilo que mais nos pesa: Fez-se tudo para todos; fez-se devedora dos sábios e dos ignorantes, com uma copiosíssima caridade. Abre a todos o seu seio de misericórdia, para que todos recebam da sua plenitude: redenção o cativo, saúde o enfermo, consolação o aflito, perdão o pecador9.

Talvez em algumas ocasiões nos sintamos doentes da alma, e então recorreremos a quem é Salus infirmorum, saúde dos enfermos, na certeza de não sermos rejeitados. Nenhuma experiência, por mais dura e negativa que possa ser ou parecer, deve desanimar-nos. Sempre encontraremos em Maria a Mãe amável, acolhedora, de olhar misericordioso, que nos recebe com ternura e nos facilita e até nos torna mais curto o caminho que perdemos. E se as dificuldades espirituais ou corporais se intensificam, chamaremos por Ela com mais força, e Ela se apressará a proteger-nos. Mãe! Chama-a bem alto, bem alto. ? Ela, tua Mãe Santa Maria, te escuta, te vê em perigo talvez, e te oferece, com a graça do seu Filho, o consolo do seu regaço, a ternura das suas carícias. E te encontrarás reconfortado para a nova luta10.

III. E DESSA HORA em diante, o discípulo recebeu-a em sua casa11. Que inveja temos de São João! Como se encheu de luz aquele novo lar de Santa Maria! Os autores espirituais viram nessas palavras do Santo Evangelho um convite dirigido a todos os cristãos para que todos saibamos também introduzir Maria em nossas vidas. Em certo sentido, é um esclarecimento quase supérfluo, porque Maria quer sem dúvida que a invoquemos, que nos aproximemos dEla com confiança, que recorramos à sua maternidade, pedindo-lhe que se manifeste como nossa Mãe12.
Talvez possa ser este o nosso propósito para hoje: contemplar Nossa Senhora na casa de São João, ver a extrema delicadeza com que o discípulo amado a trataria, as confidências cheias de intimidade que lhe faria... E colocá-la na nossa vida: fitá-la como o fazia o Apóstolo, recorrer a Ela em tudo com confiança filial, amá-la como a amou São João.

Como é fácil amar Santa Maria! Nunca, depois de Jesus, existiu nem existirá criatura alguma mais amável. Já se disse de Santa Maria que Ela é como um sorriso do Altíssimo. Nada de imperfeito, inacabado ou defeituoso encontramos no seu ser. Não é alguém longínquo e inacessível: está muito perto da nossa vida diária, conhece as nossas aflições, o que nos preocupa, aquilo de que precisamos... Não tenhamos receio de exceder-nos no nosso amor a Maria, pois nunca chegaremos a amá-la como a Santíssima Trindade a amou, a ponto de fazê-la Mãe de Cristo. Não tenhamos receio de exceder-nos, pois sabemos que Ela é ?um presente do Coração de Jesus moribundo13.

O Senhor deseja que aprendamos a amá-la sempre mais; que tenhamos para com Ela os pormenores de delicadeza e de amor que Ele teria no nosso lugar: jaculatórias, olhares freqüentes às suas imagens  pode-se dizer tanto num olhar! , atos de desagravo pela indiferença de alguns dos seus filhos, a recitação amorosa do Ângelus, do terço... ?Entre todas as homenagens que podemos tributar a Maria  afirma Santo Afonso Maria de Ligório, não há nenhuma tão grata ao Coração da nossa Mãe como a de implorarmos com freqüência a sua proteção maternal, pedindo-lhe que nos assista em todas as nossas necessidades particulares, bem como ao darmos ou recebermos um conselho, nos perigos, nas tribulações, nas tentações... Esta boa Mãe livrar-nos-á certamente dos perigos logo que recitemos a antífona Sub tuum praesidium (Sob a vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus...), ou a Ave-Maria, ou mal invoquemos o seu santo nome, que tem um poder especial contra os demônios14. Maria, como todas as mães, experimenta uma especial alegria em atender os seus filhos necessitados.
Sabemos que, depois da peregrinação neste desterro, estarão à nossa espera os seus olhos misericordiosos e os seus braços, entre os quais encontraremos, num laço indissolúvel, o fruto do seu ventre, Jesus, que conquistou a glória para si, para a sua Mãe e para todos os irmãos que se acolhem à sua misericórdia15.
Sancta Maria, Mater amabilis, ora pro eis... ora por me. Ensina-me a querer-te cada dia um pouco mais.
(1) Cfr. R. Garrigou-Lagrange, La Madre del Salvador, pág. 219; (2) Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 53; (3) Jo 19, 27; (4) João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 7-XII-1990, n. 23; (5) F. J. Sheen, Desde la Cruz, Subirana, Barcelona, 1965, pág. 18; (6) cfr. Jo 10, 3; (7) cfr. Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 61; (8) cfr. J. Ibañez-F. Mendoza, La Madre del Redentor, págs. 237-238; (9) São Bernardo, Homilia na oitava da Assunção, 2; (10) São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 516; (11) Jo 19, 27; (12) São Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 140; (13) cfr. Pio XII, Enc. Haurietis aquas, 15-V-1956, 21; (14) Santo Afonso Maria de Ligório, As glórias de Maria, III, 9; (15) L. M. Herrán, Nuestra Madre del Cielo, 2ª ed., Palabra, Madrid, 1988, pág. 102.
NOVENA DA IMACULADA. 6 DE DEZEMBRO. SÉTIMO DIA DA NOVENA
52. REFÚGIO DOS PECADORES
- A Virgem e o sacramento da Penitência.
-A sua atitude misericordiosa para com os pecadores.
-Nosso refúgio.
I. AVE, CHEIA DE GRAÇA, és chamada clementíssima para com os pecadores porque contemplas misericordiosa a nossa miséria1.

Em alguns lugares, desde tempos imemorais, foi costume representar Nossa Senhora com um grande manto debaixo do qual se encontra todo o gênero de pessoas com um rosto cheio de paz: papas e reis, comerciantes e camponeses, homens e mulheres... Alguns, que não se abrigaram bem debaixo desse manto protetor, têm alguma parte do corpo atravessada por uma flecha: o preguiçoso é representado sentado e com uma flecha na perna, o guloso com um prato na mão e a flecha na barriga...2
Refugium peccatorum: desde sempre, os cristãos viram a Santíssima Virgem como amparo e refúgio dos pecadores, para onde corremos, como que por instinto, nos momentos de maior tentação ou dificuldade, ou quando talvez não tenhamos sido fiéis ao Senhor. Ela é o atalho que nos facilita o retorno a Jesus.
Nos primeiros séculos da nossa fé, os Santos Padres, ao tratarem do mistério da Encarnação do Verbo, afirmavam com freqüência que o seio virginal de Maria foi o lugar em que se selou a paz entre Deus e os homens. Pela sua especialíssima união com Cristo, a Virgem exerce uma maternidade em relação aos homens que consiste em ?contribuir para a restauração da vida sobrenatural nas almas3; por essa maternidade, ocupa Ela um lugar totalmente especial no plano pensado por Deus para livrar o mundo dos seus pecados. Para isso, consagrou-se totalmente como escrava do Senhor à Pessoa e à obra do seu Filho, servindo sob Ele e com Ele o mistério da Redenção4; esteve associada à expiação de Cristo por todos os pecados do mundo, padeceu com Ele e foi corredentora em todos os momentos da vida de Jesus e de modo especial no Calvário, onde ofereceu o seu Filho ao Pai e se ofereceu juntamente com Ele: Verdadeiramente, em virtude da sua maternidade divina, Maria converteu-se na aliada de Deus na obra da reconciliação5. Por isso, muitos teólogos costumam comentar que a Virgem se encontra de algum modo presente na Confissão sacramental, em que nos são concedidas particularmente as graças da Redenção. Se alguém separa do sacramento da penitência a coexpiação de Maria, introduz entre Ela e Cristo uma divisão que nunca existiu nem pode ser admitida [...], já que é o próprio Cristo quem assume na sua expiação toda a cooperação expiatória da sua Mãe6.
Maria encontra-se sempre muito perto da Confissão: está presente no caminho que leva a esse sacramento, preparando a alma para que se aproxime dele com humildade, sinceridade e arrependimento. Exerce um trabalho maternal importantíssimo, facilitando o caminho da sinceridade e conduzindo suavemente a essa fonte de graça. Se alguma vez as faltas cometidas nos envergonham particularmente, Ela é o primeiro Refúgio para o qual devemos correr, certos de que, pouco a pouco, com a sua graça maternal, se tornará fácil o que a princípio era difícil. Se um filho se afasta da casa paterna, que mãe não estará disposta a facilitar-lhe o regresso?A Mãe de Deus, que buscou afanosamente o seu Filho, perdido sem culpa dEla, que experimentou a maior alegria ao encontrá-lo, ajudar-nos-á a desandar o andado, a retificar o que for preciso quando pelas nossas leviandades ou pecados não conseguirmos distinguir Cristo. Alcançaremos assim a alegria de abraçá-lo de novo, para lhe dizer que nunca mais o perderemos7.
Santa Maria, Refúgio dos pecadores, nosso refúgio, dai-nos o instinto certeiro de recorrer a Vós quando nos afastarmos do amor do vosso Filho. Dai-nos o dom da contrição.
II. SANTA MARIA, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores...

O perdão sempre é possível. O Senhor deseja a nossa salvação e a limpeza da nossa alma mais do que nós mesmos. Deus é todo-poderoso, é nosso Pai e é Amor. E Jesus diz a todos, e a nós também: Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores8. Ele chama-nos  com mais força nesta novena  para que, com a ajuda da sua Mãe, nos desapeguemos do egoísmo, dos pequenos rancores, das faltas de amor, dos juízos precipitados sobre os outros, das faltas de desprendimento...

Devemos aproximar-nos da grande festa de Nossa Senhora com um coração mais limpo. Na intimidade do nosso coração, devemos sentir esse convite divino a uma maior pureza interior. Uma tradição muito antiga relata uma aparição do Senhor a São Jerônimo: Jerônimo, que me vais dar? E o santo respondeu: Oferecer-te-ei os meus escritos?. E Cristo respondeu-lhe que não era suficiente. Que entregarei então? A minha vida de mortificação e penitência?? A resposta foi: Também não me bastam?Que me fica por dar-te?, perguntou São Jerônimo. E Cristo respondeu-lhe: Podes dar-me os teus pecados, Jerônimo?9. Às vezes, pode custar-nos reconhecer diante de Deus os nossos pecados, fraquezas e erros, deixá-los nas suas mãos sem nenhum invólucro, como são, sem justificações, com sinceridade de coração, chamando cada coisa pelo seu nome. Deus toma-os porque são o que nos separa dEle e dos outros, o que nos faz sofrer, o que impede uma verdadeira vida de oração. Deus deseja-os para destruí-los, para perdoá-los e dar-nos em troca uma fonte de Vida.

É surpreendente, gozosamente surpreendente, a insistência com que Jesus chama os pecadores, pois o Filho do homem veio salvar o que tinha perecido10. Essa atitude misericordiosa foi a que fez com que o conhecessem muitos dos que viveram perto dEle: Os escribas e fariseus murmuravam e diziam: Ele recebe os pecadores e come com eles11. E, ante o assombro de todos, livra a mulher adúltera da humilhação a que estava sendo submetida, e depois despede-a, perdoada, com estas simples palavras: Vai e não peques mais12. Jesus é sempre assim. Nunca nos passe pela cabeça recomendava o Cardeal Newman a idéia de que Deus é um amo duro, severo13. Esta é a imagem que pode formar quem se comportasse dessa maneira ? áspera e friamente, ou mostrando-se incomodado ante as ofensas alheias. Mas Deus não é assim: quanto pior é a nossa situação, mais Ele nos ama, mais nos procura.
Ensina Santo Afonso Maria de Ligório que a principal missão confiada por Deus à Virgem foi exercer a misericórdia, e que Maria põe todas as suas prerrogativas a serviço dessa tarefa14.

A missão de Maria não é aplacar a justiça divina. Deus é sempre bom e misericordioso. A missão de Nossa Senhora é a de preparar o nosso coração para que possamos receber as inumeráveis graças que o Senhor nos quer dar. Não será Maria um suave e poderoso estímulo para superarmos as dificuldades inerentes à Confissão sacramental? Não é verdade que Ela nos convida a aceitar essas dificuldades para transformá-las em meio de expiação das nossas culpas e das alheias?15 Recorramos sempre ao seu auxílio enquanto nos preparamos para receber esse sacramento.
Santa Maria, Esperança nossa, olhai-nos com compaixão, ensinai-nos a ir continuamente a Jesus e, se caímos, ajudai-nos a levantar-nos, a voltar para Ele, mediante a confissão das nossas culpas e pecados no Sacramento da Penitência, que traz sossego à alma16.
III. SANCTA MARIA, refugium nostrum et virtus... Refúgio e fortaleza nossa.
A palavra refúgio vem do latim fugere, fugir de algo ou alguém... Quando procuramos um refúgio, fugimos do frio, da escuridão da noite, de uma tempestade; procuramos segurança, abrigo. Quando recorremos a Nossa Senhora, encontramos a única proteção verdadeira contra as tentações, o desânimo, a solidão... Muitas vezes, o simples fato de começarmos a rezar-lhe é suficiente para que a tentação desapareça e recuperemos a paz e o otimismo. Se em algum momento as dificuldades se avolumam e as tentações se tornam mais fortes, devemos correr rapidamente a abrigar-nos sob o manto de Nossa Senhora.Todos os pecados da tua vida parecem ter-se posto de pé. Não desanimes. Pelo contrário, chama por tua Mãe, Santa Maria, com fé e abandono de criança. Ela trará o sossego à tua alma17.
NEla encontramos sempre abrigo e proteção. Ela consola o nosso temor, move a nossa fé, fortalece a nossa esperança, dissipa os nossos temores e anima a nossa pusilanimidade18. Os seus filhos, logo que percebem o seu amor de Mãe, refugiam-se nEla implorando perdão;ao contemplarem a sua beleza espiritual, esforçam-se por livrar-se da fealdade do pecado, e, ao meditarem nas suas palavras e exemplos, sentem-se chamados a cumprir os preceitos do seu Filho19.
Minha Mãe, Refúgio dos pecadores, ensina-nos a reconhecer os nossos pecados e a arrepender-nos deles. Vem ao nosso encontro quando for difícil o caminho de volta para o teu Filho, quando nos sentirmos perdidos.
(1) Missas da Virgem Maria, n. 14; Antífona de entrada da Missa Mãe da reconciliação; (2) cfr. M. Trens, María. Iconografia de la Virgen en el arte español, pág. 274 e segs.; (3) Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 61; (4) ib., 56; (5) João Paulo II, Exort. Apost. Reconciliatio et Paenitentia, 2-XII-1984, n. 35; (6) A. Bandera, La Virgen Maria y los sacramentos, Rialp, Madrid, 1978, pág. 173; (7) São Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 278; (8) Mt 9, 13; (9) cfr. F. J. Sheen, Desde la cruz, pág. 16; (10) Mt 18, 11; (11) Mt 11, 19; (12) Jo 8, 11; (13) Card. J. H. Newman, Sermão para o IV domingo depois da Epifania; (14) Santo Afonso Maria de Ligório, As glórias de Maria, VI, 3, 5; (15) A. Bandera, op. cit., págs. 179-180; (16) João Paulo II, Oração à Virgem de Guadalupe, janeiro de 1979; (17) São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 498; (18) São Bernardo, Homilia na Natividade da B. Virgem Maria, 7; (19) cfr. Missas da Virgem Maria, n. 14; Prefácio da Missa Mãe da reconciliação.


NOVENA DA IMACULADA. 7 DE DEZEMBRO. OITAVO DIA DA NOVENA
53. PORTA DO CÉU
-Por meio de Maria, sempre encontramos Jesus.
- A intercessão de Nossa Senhora.
-A devoção à Virgem, sinal de predestinação.

I. AVE, MARIS STELLA,
Dei Mater alma,
atque semper Virgo,
felix caeli porta.
Ave, estrela do mar,
Mãe santa de Deus,
e sempre Virgem,
feliz porta do Céu1.
Ianua caeli, Porta do Céu, assim a temos invocado tantas vezes na ladainha do terço. Maria é a entrada e o acesso a Deus, é a Porta oriental do Templo2 de que fala o Profeta, porque por Ela chegou-nos Jesus, o Sol da justiça. E é, ao mesmo tempo, a porta dourada do Céu pela qual confiamos entrar um dia no descanso da eterna bem-aventurança3. Por meio de Maria, sempre encontramos Jesus.

Às vezes, os homens percorrem mil caminhos extraviados, procurando a Deus com nostalgia; tentam chegar até Ele à força de braçadas, de complicadas especulações, e esquecem essa entrada simples que é Maria, que nos conduz ao interior do Céu da convivência com Deus4.

Conta-se de frei Leão, um leigo que acompanhava sempre São Francisco de Assis, que, depois da morte do Santo, depositava todos os dias sobre o seu túmulo um punhado de ervas e flores e meditava sobre as verdades eternas. Certo dia, adormeceu e teve uma visão do dia do Juízo. Viu que se abria uma janela no Céu e aparecia Jesus, o amável Juiz, acompanhado de São Francisco. Fizeram descer uma escada vermelha, que tinha os degraus muito espaçados, de tal maneira que era impossível subir por ela. Todos tentavam e pouquíssimos conseguiam subir. Ao cabo de um certo tempo, e como subisse da terra um grande clamor, abriu-se outra janela, à qual apareceram novamente Jesus e São Francisco, mas com a Virgem ao lado do Senhor. Lançaram outra escada, mas esta era branca e tinha os degraus mais juntos. E todos, com imensa alegria, iam subindo. Quando alguém se sentia especialmente fraco, Santa Maria animava-o chamando-o pelo nome e enviando algum dos anjos que a serviam para que o ajudasse. E assim todos foram subindo, um atrás do outro5. Não deixa de ser uma lenda piedosa, que no entanto nos ensina uma verdade essencial e consoladora, conhecida desde sempre pelo povo cristão: com a Virgem, a santidade e a salvação tornam-se mais fáceis. Sem a Virgem, tudo se torna não só mais difícil, como talvez impossível, pois Deus quis que Ela fosse a dispensadora de todos os tesouros que Jesus conquistou com o seu Sangue e a sua Morte6.

A Virgem não é apenas a porta do Céu Ianua caeli, mas também uma ajuda poderosíssima para que o alcancemos. Pois, assunta aos céus, não abandonou esta missão salvífica, mas pela sua múltipla intercessão continua a granjear-nos os dons da salvação eterna. Pela sua maternal caridade, cuida dos irmãos do seu Filho que ainda peregrinam rodeados de perigos e dificuldades, até que sejam conduzidos à Pátria bem-aventurada. Por isso, a Santíssima Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de Advogada, Auxiliadora, Socorro, Medianeira7.

Por vontade divina, a Santíssima Virgem é a Medianeira perante o Mediador, a quem está subordinada, como ensina São Bernardo8. Todas as graças nos chegam através das mãos de Maria, de tal maneira que, como afirmam muitos teólogos, Cristo não nos concede nada a não ser por meio de Nossa Senhora. E Ela está sempre disposta a conceder-nos tudo o que lhe queiramos pedir e possa ser útil à nossa salvação. Oxalá os nossos pedidos não sejam tímidos durante esta Novena.

II. SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO afirma que Maria é a Porta do Céu porque, da mesma forma que todas as graças e indultos que os reis concedem passam pela porta do seu palácio, de igual modo nenhuma graça desce do Céu à terra sem passar pelas mãos de Maria9.
Já na sua vida terrena, Nossa Senhora aparece como a dispensadora das graças. Por Ela, Jesus santifica o Precursor quando a Virgem visita a sua prima Isabel. Em Caná, a pedido de Maria, Jesus realiza o seu primeiro milagre, convertendo a água em vinho; e é ali também, em conseqüência desse milagre, que os discípulos do Senhor passam a crer nEle10. A Igreja começa o seu caminho, através da história dos homens e dos povos, no dia de Pentecostes, e sabe-se que Maria está presente no começo desse caminho, pois vemo-la no meio dos Apóstolos no Cenáculo de Jerusalém, «implorando com as suas orações o dom do Espírito Santo»11.

Pela sua intercessão, Maria alcança-nos e distribui-nos todas as graças, mediante súplicas ao seu Filho que não podem cair no vazio. Esta intercessão é ainda maior depois da sua Assunção ao Céu e depois de ter sido elevada em dignidade acima dos anjos e dos arcanjos. A Virgem distribui-nos a água da fonte, não toda de uma vez afirma São Bernardo, mas fazendo cair a graça gota a gota sobre os nossos corações ressecados, na medida da nossa capacidade12. Ela conhece perfeitamente as nossas dificuldades e concede-nos as graças de que necessitamos. Só a nossa má vontade pode impedir que essas graças cheguem até à nossa alma.

Pelo conhecimento que possui das necessidades espirituais e materiais de cada um dos seus filhos, Nossa Senhora, levada pela sua imensa caridade, intercede constantemente por nós. E muito mais quando lhe dirigimos com insistência as nossas súplicas. Noutros casos, porém, deixamos por completo nas suas mãos a solução dos problemas que nos afligem, convencidos de que Ela sabe melhor do que nós o que nos convém: Minha Mãe... vês que necessito disto e daquilo..., que este amigo, este irmão, este filho... estão longe da casa paterna...NEla se dão em plenitude as palavras de Jesus no Evangelho: Todo aquele que pede, recebe; e aquele que busca, encontra; e a quem bate, abrir-se-á13. Como pode Nossa Senhora deixar-nos à porta quando lhe pedimos que no-la abra? Como não há de socorrer-nos se nos vê tão necessitados?

III. IANUA CAELI, ora pro eis..., ora pro me.

O título de Porta do Céu convém à Virgem pela sua íntima união com o seu Filho e pela sua participação na plenitude de poder e de misericórdia que deriva de Cristo, Nosso Senhor. Jesus Cristo é, por direito próprio e principal, o caminho e a entrada para a glória, pois com a sua Paixão e Morte abriu-nos as portas do Céu que antes estavam fechadas. Mas chamamos a Maria Porta do Céu porque, com a sua intercessão onipotente, nos proporciona os auxílios necessários para alcançarmos as graças que Cristo nos mereceu e irmos até o trono de Deus14, onde nos espera o nosso Pai.
Além disso, já que por essa porta celestial nos chegou Jesus, iremos a Ela para encontrá-lo, pois ?Maria é sempre o caminho que conduz a Cristo. Cada encontro com Ela é necessariamente um encontro com o próprio Cristo. Que outra coisa significa o contínuo recurso a Maria senão buscar nos seus braços, nEla, por Ela e com Ela, o nosso Salvador, Jesus Cristo?15 Sempre, como os Magos em Belém, encontramos Jesus com Maria, sua Mãe16. Esta é a razão por que já se disse em tantas ocasiões que a devoção à Virgem é sinal de predestinação17. Ela cuida de que os seus filhos encontrem o caminho que leva à casa do Pai. E se alguma vez nos desviamos, utilizará os seus recursos poderosos para que retornemos ao bom caminho, e nos estenderá a mão para que não nos desviemos novamente. E se caímos, levantar-nos-á; e arrumar-nos-á uma vez mais para que estejamos apresentáveis na presença do seu Filho.

A intercessão da Virgem é maior do que a de todos os santos juntos, pois os outros santos nada obtêm sem Ela. A mediação dos santos depende da de Maria, que é universal e sempre subordinada à do seu Filho. Além disso, as graças que a Virgem nos obtém foram merecidas por Ela pela sua profunda identificação com a Paixão e Morte de Cristo. Com a sua ajuda, entraremos na casa do Pai.

Com esses pequenos atos de amor que lhe estamos oferecendo nestes dias, não podemos nem sequer imaginar a chuva de graças que vem derramando sobre cada um de nós, sobre as pessoas que pusemos sob os seus cuidados e sobre toda a Igreja. As mães não contabilizam os pormenores de carinho que os seus filhos lhe demonstram; nada pensam ou medem com critérios mesquinhos. Uma pequena manifestação de carinho, elas a saboreiam como mel, e extravasam-se, concedendo muito mais do que recebem. Se assim reagem as mães boas da terra, imaginai o que poderemos esperar da Nossa Mãe Santa Maria18. Não nos separemos dEla; não deixemos um só dia de recorrer à sua proteção maternal.
(1) Hino Ave, Maris stella; (2) Ez 44, 1; (3) Bento XIV, Bula Gloriosae Dominae, 27-IX-1748; (4) F. M. Moshner, Rosa mística, pág. 240; (5) cfr. Vita Fratris Leonis, em Analecta Franciscana, III, I; (6) São Pio X, Enc. Ad diem illum, 2-II-1904; (7) Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 62; (8) São Bernardo, Sermão sobre as doze prerrogativas da B. Virgem Maria, em Suma Aurea, VI, 996; (9) Santo Afonso Maria de Ligório, As glórias de Maria, I, 5, 7; (10) cfr. Jo 2, 11; (11) João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 25-III-1987, n. 26; (12) cfr. São Bernardo, Homilia na Natividade da B. Virgem Maria, 3, 5; (13) Mt 7, 8; (14) cfr. Card. Gomá, Maria Santíssima, vol. II, págs. 162-163; (15) Paulo VI, Enc. Mense Maio, 29-IV-1965; (16) cfr. Mt 2, 11; (17) cfr. Pio XII, Enc. Mediator Dei, 20-II-1947; (18) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 280.


SÃO MIGUEL, SÃO GABRIEL E SÃO RAFAEL, ARCANJOS
Festa

Hino

Ó Cristo, Luz de Deus Pai,
vida e vigor que buscamos
dos vossos anjos, adiante,
de coração vos louvamos.
Doce cantar alternando,
nosso louvor elevamos.

À celestial legião
também cantamos louvor,
e destacamos seu Chefe
com sua força e vigor:
Miguel, invicto pisando
o vil dragão tentador.

Ó Cristo, Rei compassivo,
de nós lançai todo mal.
Em corpo e alma guardados
por Guardião sem igual,
em vosso amor concedei-nos
o Reino celestial.

Glória cantamos ao Pai,
ao Filho glória também.
Ao que procede dos dois
a mesma glória convém,
pois são os três um só Deus
por todo o sempre. Amém.




Conosco, ó Rafael,
à pátria caminhai.
Aos corpos dai saúde,
as mentes libertai.

 
Do máximo mistério
arauto, ó Gabriel,
guiai-nos nos caminhos
da luz que vem do céu.



Miguel, invicto príncipe
da corte celestial,
firmai-nos, com mão fúlgida,
na graça divinal.

HOMÍLIA NA FESTA DE S. MIGUEL, S. GABRIEL E S. RAFAEL ARCANJOS 

– A missão dos Anjos. Os três Arcanjos que a Igreja honra de maneira particular.

– O Arcanjo São Miguel. A sua ajuda na luta contra o demônio.

– Pedir a esse Santo Arcanjo a sua contínua proteção para a Igreja.

Veneramos hoje a memória dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, profundamente arraigada em toda a Tradição da Igreja. O nome de Miguel (em hebreu: Quem como Deus?) recorda o combate travado por esse Arcanjo e pelos anjos fiéis contra Lúcifer e os seus seguidores, que se rebelaram contra Deus e foram lançados no inferno. Deus escolheu São Gabriel (em hebreu, fortaleza de Deus) para anunciar a Maria o mistério da Encarnação. O nome de Rafael (em hebreu: remédio de Deus) evoca a sua missão de médico e companheiro de viagem do jovem Tobias.

I. NO EVANGELHO DA MISSA, lemos estas palavras de Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem1.

São os anjos que louvam continuamente a Deus e “participam, do modo que lhes é próprio, do governo de Deus sobre a Criação como poderosos executores das suas ordens (Sl 109), conforme o plano estabelecido pela Divina Providência. Os anjos têm por missão cuidar com especial solicitude de todos os homens, em favor dos quais apresentam a Deus as suas súplicas e orações”2. A sua função como embaixadores de Deus estende-se a cada um dos homens, principalmente àqueles que têm uma responsabilidade específica no plano salvífico (aos sacerdotes, por exemplo), e a todas as nações3. Todos os dias, a todas as horas, no mundo inteiro, “no coração da Santa Missa”, apela-se aos Anjos e aos Arcanjos para cantar a glória de Deus.

Hoje, é particularmente oportuno considerarmos que a Igreja honra na sua liturgia “três figuras angélicas a quem a Sagrada Escritura chama com um nome. O primeiro é o Arcanjo Miguel (cfr. Dan 10, 13.20; Apoc 12, 7; Jd 9). O seu nome expressa em síntese uma atitude essencial dos espíritos bons: Mica-El significa Quem como Deus?” O segundo é Gabriel, “figura ligada sobretudo ao mistério da Encarnação do Filho de Deus. O seu nome significa: O meu poder é Deus ou Poder de Deus”. Por último, Rafael, cujo nome “significa: Deus cura”4. Meditando sobre a missão que lhes foi confiada, compreendemos o ensinamento contido na Epístola aos Hebreus: Porventura não são todos esses espíritos ministros de Deus, enviados para exercer o seu ministério a favor daqueles que hão de receber a herança da salvação?5

A existência dos anjos e a sua proximidade nos nossos afazeres quotidianos movem-nos a pedir com a Liturgia da Missa: Ó Deus, que organizais de modo admirável o serviço dos anjos e dos homens, fazei que sejamos protegidos na terra por aqueles que Vos assistem continuamente nos céus6. Devemos incontáveis ajudas diárias aos nossos Anjos da Guarda, cuja festa celebraremos dentro de uns dias, bem como aos Santos Arcanjos. São uma prova palpável do amor que Deus Pai tem pelos seus filhos. Recorremos a eles com freqüência no meio dos nossos trabalhos diários? Tratamo-los com confiança, pedindo-lhes que nos ajudem a servir a Deus e que nos protejam na nossa luta diária? Sentimo-nos seguros na sua companhia ao longo do dia, especialmente quando chega a tribulação ou quando estamos prestes a perder a serenidade e a paz dos filhos de Deus?

II. LEMOS NA PRIMEIRA LEITURA da Missa: E houve no céu uma grande batalha: Miguel e os seus anjos pelejavam contra o dragão, e o dragão com os seus anjos pelejavam contra ele; mas estes não prevaleceram e já não houve lugar para eles no céu. E foi precipitado aquele grande dragão, aquela antiga serpente, que se chama demônio e Satanás, que seduz todo o universo; e foi precipitado na terra, e foram precipitados com ele os seus anjos7.

Os Santos Padres interpretam estes versículos do Apocalipse como testemunho da luta entre Miguel e o demônio quando os espíritos angélicos foram submetidos a prova. Sob essa luz entenderam também o combate que Satanás sustenta contra a Igreja ao longo dos séculos e que se radicalizará no fim dos tempos8.

Segundo tradições judaicas perfilhadas por alguns Padres da Igreja, o demônio foi uma criatura angélica que se converteu em inimiga de Deus quando se recusou a aceitar a dignidade concedida ao homem9. Então ele e os seus seguidores foram arrojados à terra, e desde então não cessam de tentar o homem para que, pecando, fique também privado da glória de Deus. O Antigo Testamento10 apresenta o Arcanjo São Miguel como aquele que defende o Povo eleito em nome de Deus. A luta constante contra o demônio, que “caracteriza a figura do Arcanjo Miguel, é atual mesmo hoje, porque o demônio ainda está vivo e continua a atuar na terra”11. Mais ainda: “Há épocas em que a existência do mal entre os homens se torna singularmente evidente no mundo [...]. Tem-se a impressão de que o homem atual não quer ver esse problema. Faz todo o possível para eliminar da consciência geral a existência desses dominadores do mundo tenebroso, desses astutos ataques do demônio de que fala a Epístola aos Efésios. Contudo, há épocas históricas em que essa verdade da revelação e da fé cristã, que tanto custa aceitar, se expressa com grande força e se torna quase palpável”12.

Essa atuação do demônio na sociedade e nas pessoas, que às vezes se expressa com grande força e se torna quase palpável, levou a Igreja a invocar São Miguel como seu guardião nas adversidades e contra as ciladas do demônio. Envia, Senhor, em auxílio do teu povo o Arcanjo Miguel, para que nos sintamos protegidos nas nossas lutas contra Satanás e os seus anjos13. Ciladas reais e terríveis, que procuram aniquilar a vida de Cristo nas almas.

A festa de hoje recorda-nos, além disso, “que ao começar a Criação, brotou essa primeiríssima adoração da profundidade espiritual dos seres angélicos, que mergulharam com todo o seu ser na realidade do Quem como Deus: Miguel e os seus anjos (Apoc 12, 7). Ao mesmo tempo, a leitura do Livro do Apocalipse faz-nos tomar consciência de que a essa adoração, a essa primeiríssima afirmação da majestade do Criador, se contrapôs uma negação. Em oposição a essa orientação cheia de amor de Deus (quem como Deus!), irrompeu uma plenitude de ódio em rebelião contra Ele”14 que ainda parece sentir-se no mundo de mil formas diversas.

Esta ausência de serviço amoroso a Deus e aos outros por Deus lembra-nos que é necessário amá-lo e servi-lo com todo o nosso ser, sem esperar nada em troca. Serviam! Senhor, eu te servirei!, diremos muitas vezes, na intimidade do nosso coração. Aproveitemos a festa de hoje para dizer a Jesus: Senhor, não tenho outra ambição senão servir-te.

III. CRISTO É O VERDADEIRO VENCEDOR do pecado, do demônio e da morte. E nEle vencemos sempre, com a ajuda dos anjos e dos santos. Agora é o juízo deste mundo – dizia Jesus, referindo-se aos últimos acontecimentos da sua vida aqui na terra –, agora será lançado fora o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado ao alto, atrairei tudo a mim15. E quando os discípulos lhe contaram que, em seu nome, os demônios se lhes submetiam, o Senhor exclamou: Eu vi Satanás cair do céu como um relâmpago16.

No entanto, o triunfo dos cristãos sobre o demônio só terá lugar no fim dos tempos. Por isso, São Pedro, depois de exortar os cristãos à mais plena confiança em Deus – Descarregai sobre Ele, diz-lhes, todas as vossas preocupações, porque Ele cuida de vós –, chama-lhes vivamente a atenção para que se mantenham vigilantes: Sede sóbrios e vigiai, porque o demônio, vosso adversário, ronda-vos como um leão que ruge, buscando a quem devorar17. E São Cipriano comenta: “Ronda-nos a cada um de nós, como um inimigo que sitiou uma cidadela e explora as muralhas e verifica se há algum ponto fraco e pouco seguro por onde possa penetrar”18. Enquanto escrevia essas recomendações, São Pedro devia recordar-se das palavras do Mestre: Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou instantemente para vos joeirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça...19

O grande triunfo do demônio nos nossos dias consiste em que muitos o esqueceram ou pensam que se trata de crenças de outras épocas menos avançadas culturalmente. Que nós não o esqueçamos, pois a sua ação misteriosa na vida do mundo e das pessoas é bem real e efetiva. Recorramos com freqüência ao Arcanjo São Miguel. No discurso que citamos, o Papa João Paulo II recitou várias vezes, em nome da Igreja, uma antiga oração ao Arcanjo: São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas. Amém20.

(1) Jo 1, 51; (2) João Paulo II, Audiência geral, 30-VII-1986; (3) cfr. ib.; (4) cfr. idem, Audiência geral, 6-VIII-1986; (5) Hebr 1, 14; (6) Oração coleta da Missa do dia 29 de setembro; (7) Apoc 12, 7-9; (8) cfr. São Gregório Magno, Moralia, 31, 12; (9) cfr. Sagrada Bíblia, Apocalipse, EUNSA, Pamplona, 1989, nota a Apoc 12, 7-9; (10) Dan 10, 13; 12, 1; (11) João Paulo II, Alocução no Monte Sant’Angelo, 24-V-1987; (12) idem, Homilia em Munique, 3-V-1987; (13) Liturgia das Horas, Preces de Laudes; (14) João Paulo II, Homilia, 29-IX-1983; (15) Jo 12, 31-33; (16) Lc 10, 18; (17) 1 Pe 5, 7-8; (18) São Cipriano, De zelo et livore, 2; (19) cfr. Lc 22, 31-32; (20) cfr. João Paulo II, Alocução, 24-IV-1987.
Wwebsite De Francisco Fernández Carvajal 

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21 DE SETEMBRO FESTA SÃO MATEUS APÓSTOLO E EVANGELISTA

– Correspondência de São Mateus à chamada do Senhor. A nossa correspondência.
– A alegria da vocação.
 – Uma vocação essencialmente apostólica.

São Mateus, Apóstolo e Evangelista, nasceu em Cafarnaum, e quando Jesus o chamou para fazer parte do grupo dos Doze, exercia o ofício de cobrador de impostos. A Tradição é unânime em reconhecê-lo como o autor do primeiro Evangelho, escrito em arameu e traduzido pouco depois para o grego. Segundo a Tradição, pregou e sofreu o martírio no Oriente, provavelmente na Pérsia.

I. SÃO MARCOS, SÃO LUCAS e o próprio São Mateus narram a vocação deste Apóstolo imediatamente após o relato da cura do paralítico de Cafarnaum. Provavelmente no mesmo dia ou no dia seguinte, Jesus dirigiu-se às margens do lago seguido por uma grande multidão1. E no caminho passou pelo lugar onde se pagavam os tributos pela circulação de mercadorias de uma região para outra. Cafarnaum, além de um pequeno porto de mar, era uma cidade fronteiriça da região da Peréia, situada do outro lado do Jordão.

 Mateus, como publicano, estava ao serviço de Herodes e, sem ser funcionário, era arrendatário de impostos. Esse ofício era mal visto e mesmo desprezado pelo povo, embora também fosse muito cobiçado porque permitia enriquecer-se em pouco tempo. Mateus devia ter uma boa posição, pois pôde oferecer um grande banquete em sua casa, de que participou grande número de publicanos e outros, que estavam sentados à mesa com eles2.

Passando Jesus, convidou-o a segui-lo. E ele, levantando-se, seguiu-o3. Foi uma resposta rápida e generosa. Mateus, que certamente conhecia o Mestre de outras ocasiões, devia estar à espera desse grande momento, pois não duvidou à primeira insinuação em deixar todas as coisas para seguir Jesus. Só Deus sabe o que viu em Mateus naquele dia, e só o Apóstolo sabe o que viu em Jesus para deixar imediatamente a mesa dos impostos e segui-lo. “Ao manifestar uma decisão pronta e ao desprender-se tão subitamente de todas as coisas da vida, Mateus testemunhava muito bem, pela sua perfeita obediência, que o Senhor o tinha chamado no momento oportuno”4.

 O instante e a situação em que o Senhor se insinua numa alma e lhe pede uma entrega sem reservas são os que Deus previu na sua Providência, e são portanto os mais oportunos. Umas vezes, será em tenra idade e, para essa pessoa, esse será o melhor momento para seguir a chamada do Senhor. Outras, Cristo chama na maturidade e nas circunstâncias mais diversas, de família, trabalho, saúde, etc. Com a vocação, Deus concede a graça necessária para se responder prontamente e para sempre. Além disso, pode acontecer que, quando se diz não ao Senhor, na esperança de dizer-lhe sim mais adiante, num tempo que subjetivamente pareça mais oportuno, esse momento não se apresente, porque toda a resistência à graça endurece o coração5. Também é possível que o Senhor não passe uma segunda vez: que a chamada amorosa não volte a repetir-se. Isto levava Santo Agostinho a animar todos os fiéis a corresponderem à graça quando Deus a dá; e acrescentava: Timeo Iesum praetereuntem et non redeuntem, temo que Jesus passe e não volte6.

O Mestre fixa o seu olhar em todos nós, seja qual for a nossa idade e condição. Sabemos bem que Jesus passa perto da nossa vida, que nos olha e se dirige a cada um de nós de maneira singular. Convida-nos a segui-lo mais de perto e ao mesmo tempo – na maior parte dos casos – deixa-nos onde nos encontrávamos: no meio da sociedade, do trabalho, da família... “Pensa no que diz o Espírito Santo, e enche-te de pasmo e agradecimento: «Elegit nos ante mundi constitutionem» – escolheu-nos antes de criar o mundo –, «ut essemus sancti in conspectu eius!» – para que sejamos santos na sua presença.

“Ser santo não é fácil, mas também não é difícil. Ser santo é ser bom cristão: parecer-se com Cristo. – Aquele que mais se parece com Cristo, esse é mais cristão, mais de Cristo, mais santo.

“– E que meios temos? – Os mesmos dos primeiros fiéis, que viram Jesus ou o entreviram através dos relatos dos Apóstolos ou dos Evangelistas”7.

II. PARA CELEBRAR e agradecer a sua vocação, São Mateus deu um grande banquete, ao qual convidou os seus amigos, muitos dos quais eram tidos por pecadores. Esse gesto reflete a alegria do novo Apóstolo pela sua vocação, que é um grande bem e que deve alegrar-nos sempre.

Se reparamos apenas na renúncia que todo o convite de Deus para segui-lo com passo mais firme traz consigo, se nos detemos apenas no que é preciso deixar e não no dom de Deus, no bem que Ele vai realizar em nós e através de nós, pode acometer-nos a tristeza do jovem rico, que não quis deixar as suas riquezas e se retirou triste8; pensou apenas nas coisas que deixava, e não chegou a conhecer a maravilha de estar com Cristo e de ser instrumento para coisas grandes. “Talvez ontem fosses uma dessas pessoas amarguradas nos seus sonhos, decepcionadas nas suas ambições humanas. Hoje, desde que Ele se meteu na tua vida – obrigado, meu Deus! –, ris e cantas, e levas o sorriso, o Amor e a felicidade aonde quer que vás”9.

A vida de quem foi chamado por Cristo – e todos nós o fomos – não pode ser como a daquele personagem que Jesus menciona quando já parece ter concluído a parábola do filho pródigo: o irmão mais velho que permaneceu na casa paterna, que foi um bom trabalhador, que não saiu dos limites da fazenda, que foi fiel..., mas sem alegria, sem caridade para com o irmão que por fim acabava de voltar. É a imagem viva do justo que não consegue compreender que a possibilidade de servir a Deus e gozar da sua amizade e presença é já uma contínua festa. Não entende que a recompensa já se encontra no próprio serviço a Deus, que servir é reinar. Deus espera de nós um serviço alegre, não de má vontade nem forçado, porque Deus ama aquele que dá com alegria10. Quando servimos o Senhor, quando dizemos sim às suas chamadas, sempre temos suficientes motivos de festa, de ação de graças, de alegria.

São Mateus converteu-se numa testemunha excepcional da vida e dos atos do Mestre. Um pouco mais tarde, seria escolhido como um dos Doze que seguiriam o Senhor em todos os seus passos: escutou as suas palavras, contemplou os seus milagres, esteve entre os íntimos que celebraram a Última Ceia, assistiu à instituição da Eucaristia, ouviu o testamento do Senhor centrado no preceito do Amor e acompanhou Cristo no Horto das Oliveiras, onde começaria, com os outros discípulos, um calvário de angústia, especialmente por ter também abandonado Jesus. Depois, muito poucos dias depois, saboreou a alegria da Ressurreição e, antes de Ascensão, recebeu o mandato de levar a Boa Nova até os confins da terra. Mais tarde, também com os discípulos e a Santíssima Virgem, recebeu o fogo do Espírito Santo no dia de Pentecostes.

Ao escrever o seu Evangelho, reviveu sem dúvida todos os gratos momentos passados ao lado do Mestre. Compreendeu que a sua vida tinha valido a pena. Que diferença se tivesse ficado naquela manhã agarrado ao telônio dos impostos e não tivesse seguido Jesus que passava! A nossa vida, bem o sabemos, só vale a pena se a vivermos junto de Cristo, com uma correspondência cada vez mais fiel..., se soubermos responder a cada apelo de Jesus com sim pronto e alegre.

III. AO BANQUETE oferecido por Mateus assistiram os seus amigos e muitos conhecidos. Alguns eram publicanos. Os fariseus e escribas murmuravam entre si e diziam aos discípulos de Jesus: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?11 São Jerônimo, numa nota à margem do texto e em tom jocoso, anota que aquilo deve ter sido um festim de pecadores.

O Mestre assistiu ao banquete em casa do novo discípulo. E deve tê-lo feito de bom grado, com gosto, aproveitando aquela oportunidade para conquistar a simpatia dos amigos de Mateus. E aos comentários mal-intencionados dos fariseus, respondeu-lhes com um ensinamento cheio de sabedoria e simplicidade: Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos12.

Muitos dos assistentes ao banquete sentiram-se acolhidos pelo Senhor, e é provável que, decorrido algum tempo, tivessem recebido o batismo e passado a ser cristãos fiéis. O Senhor ensina-nos com o seu exemplo a estar abertos a todos para ganhar a todos. “O diálogo de salvação não ficou condicionado pelos méritos daqueles a quem se dirigia, nem pelos resultados favoráveis ou contrários: Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos... O diálogo de salvação abriu-se, é oferecido a todos; abriu-se para todos os homens sem discriminação alguma...”13

Ninguém pode ser-nos indiferente; quanto maior a necessidade, maior deve ser o nosso empenho apostólico, maiores os meios sobrenaturais e humanos que temos de empregar. Vejamos agora na nossa oração se mantemos um trato acolhedor com todas as pessoas, mesmo com aquelas que parecem estar mais longe das nossas idéias e do nosso modo cristão de pensar e de ver a vida.

“Tens razão. – Do alto do cume – escreves-me –, em tudo o que se divisa (e é um raio de muitos quilômetros), não se enxerga uma única planície; por detrás de cada montanha, outra ainda. Se em algum lugar a paisagem parece suavizar-se, mal se levanta o nevoeiro, aparece uma serra que estava oculta.

“É assim mesmo, assim tem que ser o horizonte do teu apostolado; é preciso atravessar o mundo. – Mas não há caminhos feitos para vós... Tereis que fazê-los, através das montanhas, à força das vossas passadas”14.

Agradeçamos hoje ao Apóstolo o Evangelho que nos legou. E peçamos-lhe, por intercessão da Virgem Maria, que saibamos também ir em busca dos nossos antigos amigos – e procurar sempre outros novos – para que conheçam o Mestre e se sentem à mesa com Ele. Que o Senhor nos torne audazes e nos dê espírito de conquista.



(1) Mc 2, 13; (2) Lc 5, 29; (3) Mt 9, 9; (4) São João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de São Mateus, 30, 1; (5) cfr. Federico Suárez, A Virgem Nossa Senhora, Prumo, Lisboa, 1983, pág. 64; (6) Sagrada Escritura, Santos Evangelhos, Braga, nota a Lc 18, 35-43; (7) Josemaría Escrivá, Forja, n. 10; (8) cfr. Lc 18, 18; (9) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 81; (10) 2 Cor 9, 7; (11) Lc 5, 30; (12) Mt 9, 12; (13) Paulo VI, Enc. Ecclesiam suam, 6-VIII-1964; (14) Josemaría Escrivá, Caminho, n. 928.

Do Website de Francisco Fernández Carvajal



S. Mateus,
habilidoso escritor e instruído na lei
do seu Deus, no alto céu,
De corpo e alma dedicou-se ao estudo,
à observância e ao ensino dos preceitos de Cristo,
conduzido e amparado pela mão de seu Deus.
 O Evangelho da glória do Deus imenso e santo
 lhe foi confiado.

Hino
Tu, que hoje reinas na glória,
cumprida a tua missão,
lembras um Deus que ainda chama,
que nos convida ao perdão.

Levi, da banca do imposto,
chama-te o Cristo que passa:
reserva-te outras riquezas,
infensas ao fogo e à traça.  

Por seu apelo movido, 
a tudo dizes adeus;
serás apóstolo agora,
terás por nome Mateus.

Entesourando as palavras
e as ações do teu Senhor,
seu testemunho rediges:
a Boa-nova do amor. 

Mas, ao pregar Jesus Cristo
sobretudo entre o teu povo,
em odre antigo colocas
vinho melhor, vinho novo.

Ó evangelista e apóstolo,
agora mártir Mateus, 
dá que possamos contigo
reinar na glória de Deus.

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 15 de Setembro Nossa Senhora das Dores.
“Parai e vede se há dor semelhante à minha dor”




Trecho da homilia de Bento XVI Sagrado da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, Lourdes Segunda feira, 15 de Setembro de 2008


Hoje, ao celebrarmos a memória de Nossa Senhora das Dores, contemplamos Maria que partilha a compaixão do Filho pelos pecadores. Como afirmava São Bernardo, a Mãe de Cristo entrou na Paixão do Filho através da sua compaixão (cf. Homilia do Domingo na Oitava da Assunção). Ao pé da Cruz cumpre-se a profecia de Simeão: o seu coração de Mãe é trespassado (cf. Lc 2, 35) pelo suplício infligido ao Inocente, nascido da sua carne. Tal como Jesus chorou (cf. Jo 11, 35), também Maria terá certamente chorado diante do corpo torturado do Filho. Todavia, a sua discrição impede-nos de medir o abismo da sua dor; a profundidade desta aflição é apenas sugerida pelo tradicional símbolo das sete espadas. Como sucedeu com seu Filho Jesus, é possível afirmar que este sofrimento levou-A também a Ela à perfeição (cf. Heb 2, 10), de modo a torná-La capaz de acolher a nova missão espiritual que o Filho Lhe confia imediatamente antes de “entregar o espírito” (cf. Jo 19, 30): tornar-Se a Mãe de Cristo nos seus membros. Naquela hora, através da figura do discípulo amado, Jesus apresenta cada um dos seus discípulos à Mãe dizendo-Lhe: “Eis o teu filho” (cf. Jo 19, 26-27).

Maria vive hoje na alegria e glória da Ressurreição. As lágrimas derramadas ao pé da Cruz transformaram-se num sorriso que nada mais apagará, embora permaneça intacta a sua compaixão materna por nós. Atesta-o a intervenção da Virgem Maria em nosso socorro ao longo da história e não cessa de suscitar por Ela, no povo de Deus, uma confidência inabalável: a oração Memorare (“Lembrai-Vos”) exprime muito bem este sentimento. Maria ama cada um dos seus filhos, concentrando a sua atenção de modo particular naqueles que, como o Filho d’Ela na hora da Paixão, se acham mergulhados no sofrimento; ama-os, simplesmente porque são seus filhos, por vontade de Cristo na Cruz.

O Salmista, vislumbrando de longe este vínculo materno que une a Mãe de Cristo e o povo crente, profetiza a respeito da Virgem Maria: “Os grandes do povo procurarão o teu sorriso” (Sal 44, 13). E assim, solicitados pela Palavra inspirada da Escritura, sempre os cristãos procuraram o sorriso de Nossa Senhora, aquele sorriso que os artistas, na Idade Média, tão prodigiosamente souberam representar e engrandecer. Este sorriso de Maria é para todos: no entanto, dirige-se de modo especial para os que sofrem, a fim de que nele possam encontrar conforto e alívio. Procurar o sorriso de Maria não é uma questão de sentimentalismo devoto ou antiquado; antes, é a justa expressão da relação viva e profundamente humana que nos liga Àquela que Cristo nos deu por Mãe.

Desejar contemplar este sorriso da Virgem não é de forma alguma deixar-se dominar por uma imaginação descontrolada. A própria Escritura nos revela tal sorriso nos lábios de Maria, quando canta o Magnificat: “A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 46-47). Quando a Virgem Maria dá graças ao Senhor, toma-nos por suas testemunhas. Maria, como que por antecipação, partilha com os futuros filhos, que somos nós, a alegria que mora no seu coração, para que uma tal alegria se torne também nossa. E cada proclamação do Magnificat faz de nós testemunhas do seu sorriso. Aqui em Lourdes, durante a aparição de 3 de Março de 1858, Bernadete contemplou de maneira muito especial este sorriso de Maria. Foi esta a primeira resposta dada pela Bela Senhora à jovem vidente, que queria saber a sua identidade. Antes de apresentar-Se-lhe alguns dias mais tarde como “a Imaculada Conceição”, Maria fez-lhe conhecer antes de mais nada o seu sorriso, como se tal fosse a porta mais apropriada para a revelação do seu mistério.

No sorriso da mais eminente de todas as criaturas, que a nós se dirige, reflete-se a nossa dignidade de filhos de Deus, uma dignidade que nunca se extingue em quem está doente. Aquele sorriso, verdadeiro reflexo da ternura de Deus, é a fonte duma esperança invencível. Acontece infelizmente – bem o sabemos – que o sofrimento prolongado quebre os equilíbrios melhor consolidados duma vida, abale as mais firmes certezas da confiança e chegue por vezes até a fazer desesperar do sentido e valor da vida. Há combates que o homem não pode sustentar sozinho, sem a ajuda da graça divina. Quando a palavra já não consegue encontrar expressões adequadas, subentra a necessidade duma presença carinhosa: procuramos então a solidariedade não só daqueles que compartilham o nosso próprio sangue ou estão ligados conosco por vínculos de amizade, mas também a solidariedade de quantos se acham intimamente unidos a nós pelo laço da fé. E quem de mais íntimo poderíamos nós ter além de Cristo e da sua santa Mãe, a Imaculada? Mais do que qualquer outrem, Eles são capazes de nos compreender e perceber a dureza do combate que travamos contra o mal e o sofrimento. A Carta aos Hebreus, referindo-se a Cristo, afirma que Ele não é alguém incapaz de “compadecer-Se das nossas fraquezas; pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo” (Heb 4, 15).

Queria, humildemente, dizer àqueles que sofrem e a quantos lutam e se sentem tentados a virar as costas à vida: Voltai-vos para Maria! No sorriso da Virgem, encontra-se misteriosamente escondida a força para continuar o combate contra a doença e a favor da vida. Junto d’Ela, encontra-se igualmente a graça para aceitar, sem medo nem mágoa, a despedida deste mundo na hora querida por Deus.



Ao longo de sua vida, Nossa Senhora teve alegrias e teve dores. Grandes alegrias, grandes dores...
Convidamos você para estarmos ao lado de Virgem Dolorosa em sete das dores que ela teve. As dores d'Ela foram muitas, imensas. E não foram apenas sete.
Aqui estão episódios tirados dos Santos Evangelhos. Eles formam o caminho de dores da Filha amorosa de Deus Pai sofrendo em sua alma padecimentos semelhantes aos da Paixão de seu Divino Filho.
Nada desse mundo serve de comparação para as dores que Ela sofreu junto a Jesus. Nenhuma criatura viveu com tanto amor essas dores. Também, só Ela pode ser chamada de corredentora!  Só Ela pode ser chamada de Onipotência Suplicante!
Unamos nossas dores imperfeitas aos sofrimentos d'Ela.  Considerando os padecimentos da Mãe Dolorosa, encontraremos ânimo para suportarmos as dificuldades de nosso dia a dia, teremos força para subirmos ao alto de nosso próprio Calvário.

Coroa das Sete Dores de Nossa Senhora
A Coroa das Sete Dores de Nossa Senhora relembra as principais dores que a Virgem Maria sofreu em sua vida terrena, culminando com a paixão, morte e sepultamento de Seu Divino Filho. E junto à Cruz que a Mãe de Jesus torna-se Mãe de todos os homens e do corpo Místico de Cristo: a Igreja Católica.
Unir-se às dores de Maria é unir-se também às dores de Nosso Senhor Jesus Cristo.
No início reza-se o Creio, o Pai Nosso e 3 Ave-Marias. Para cada dor de Maria deve-se rezar 1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.
Primeira Dor de Nossa Senhora: A Apresentação de Jesus no Templo e a profecia de Simeão
Ao apresentar o Menino Jesus no Templo, Maria encontrou Simeão que proferiu a seguinte profecia: "Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma (Lc 2, 34-35)
Unidos à dor que Maria sentiu nessa ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado.
1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.
Segunda Dor de Nossa Senhora: A fuga para o Egito
Após o nascimento de Jesus, o Rei Herodes quis matá-lo e, por causa disso, um anjo do Senhor apareceu a São José e disse: "Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise". Obediente, "José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito." (Mt 2, 13-14).
Unidos à dor que Maria sentiu nessa ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado.
1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.
Terceira Dor de Nossa Senhora: A perda do Menino Jesus no Templo
Terminada a festa da Páscoa, o Menino Jesus ficou em Jerusalém sem que seus pais o percebessem. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. (Lc 2, 43-50)
Unidos à dor que Maria sentiu nesta ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado.
1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai
Quarta Dor de Nossa Senhora: O encontro com Jesus no Caminho do Calvário
Um dos momentos mais pungentes da Paixão é o encontro de Jesus com Sua Mãe no caminho do Calvário. As lágrimas que Maria deramou na ocasião, a troca de olhar com o Filho, a constatação das crueldades que Ele estava sofrendo, tudo causava imensa dor no Seu Coração de Mãe.
Unidos à dor que Maria sentiu nesta ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado.
1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai
Quinta dor de Nossa Senhora: Maria fica de pé junto à Cruz de Jesus
Maria acompanhou de perto todo o sofrimento de Jesus na Cruz e assistiu de pé à sua morte: "junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleofás, e Maria Madalena" (Jo 19, 25)
Unidos à dor que Maria sentiu nesta ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado.
1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.
Sexta Dor de Nossa Senhora: Maria recebe o corpo de Jesus morto em seus braços
Nossa Senhora da Piedade, é assim que o povo católico invoca Maria nesse momento da Paixão. Depois "tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar." (Jo 19, 40)
Unidos à dor que Maria sentiu nessa ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos matermos afastados do pecado.
1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai
Sétima Dor de Nossa Senhora: Maria deposita Jesus no Sepulcro
O sepultamento de Seu Divino Filho foi a última dor que Maria sentiu durante a Paixão. "No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus." (Jo 19, 41-42)
Unidos à dor que Maria sentiu nesta ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado.
1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.
 




Ladainha de Nossa Senhora das Dores

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.
R/. Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
R/. Jesus Cristo, atendei-nos.

 Pai dos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo,
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,

Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
Mãe crucificada,
Mãe dolorosa,
Mãe lacrimosa,
Mãe aflita,
Mãe abandonada,
Mãe desolada,
Mãe despojada de seu Filho,
Mãe transpassada pelo gládio,
Mãe consumida pelo infortúnio,
Mãe repleta de angústias,
Mãe com o coração cravado na Cruz,
Mãe tristíssima,
Fonte de lágrimas,
Auge do sofrimento,
Espelho de paciência,
Rochedo de constância,
Âncora da confiança,
Refúgio dos desamparados,
Escudo dos oprimidos,
Vencedora dos incrédulos,
Conforto dos miseráveis,
Remédio dos enfermos,
Fortaleza dos fracos,
Porto dos náufragos,
Bonança nas borrascas,
Recurso dos aflitos,
Terror dos que armam ciladas,
Tesouro dos fiéis,
Vista dos Profetas,
Báculo dos Apóstolos,
Coroa dos Mártires,
Luz dos Confessores,
Pérola das Virgens,
Consolação das viúvas,
Alegria de todos os Santos,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. perdoai-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. atendei-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. tende piedade de nós, Jesus.

Oremos. Velai por nós, defendei-nos, preservai-nos de todas as angústias, pela virtude de Jesus Cristo. Amém.

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14 de Setembro
EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ
FESTA
A Cruz de Nosso Senohr Jesus Cristo
deve ser nossa glória:
nela está nossa vida e ressurreição,
foi Ele que nos salvou e libertou!

HINO II VÉSPERAS

Do Rei avança o estandarte,
fulge o mistério da Cruz,
onde por nós foi suspenso
o autor da vida, Jesus.

Do lado morto de Cristo,
ao golpe que lhe vibraram,
para lavar meu pecado
sangue e água jorraram.

Ó Árvore, a mais bela,
de rubra púrpura ornada,
de os santos membros tocar
digna, só tu foste achada.

Ó Cruz feliz, dos teus braços
do mundo o preço pendeu;
balança foste do corpo
que ao duro inferno venceu.

Ó salve, altar, salve vítima,
eis que a vitória reluz:
a vida em ti fere a morte,
morte que à vida conduz.

Ó salve, cruz esperança,
concede aos réus remissão;
dá-nos o fruto da graça,
que floresceu na Paixão.

Louvor a vós, ó Trindade,
fonte de todo perdão,
aos que na Cruz foram salvos,
dai a celeste mansão.
«Assim é preciso que o Filho do Homem seja elevado, para que todo o que nele crê seja salvo»
Homilia 1 «Sobre a Cruz e sobre o Ladrão»
Hoje, nosso Senhor Jesus Cristo está pregado na Cruz e nós estamos em festa, para que saibais que a Cruz é uma festa e uma celebração espiritual. Outrora, a Cruz designava um castigo; agora tornou-se objeto de honra. Outrora símbolo de condenação, ei-la hoje princípio de salvação. Porque ela é para nós causa de bens sem conta: livrou-nos do erro, iluminou-nos as trevas, reconciliou-nos com Deus; tínhamo-nos tornado, para com Ele, inimigos e estrangeiros longínquos. Para nós, ela é hoje a destruição da inimizade, o penhor da paz, o tesouro de mil bens.
Graças a ela, já não erramos nos desertos, porque conhecemos o caminho verdadeiro. Não ficamos fora do palácio real, porque encontramos a porta. Não tememos as armas inflamadas do diabo, porque descobrimos a fonte. Graças a ela, já não estamos na viuvez, pois encontramos o Esposo. Não temos medo do lobo, pois encontramos o bom pastor. Graças à Cruz, não tememos o usurpador, pois nos sentamos ao lado do Rei.
Eis porque estamos em festa ao celebrarmos a memória do Cruz. O próprio São Paulo nos convida para a festa em honra da Cruz: "Celebremos esta festa", diz ele, "não com fermento velho, nem com o fermento da malícia e da perversidade, mas com os ázimo da pureza e da verdade" (1 Co 5,8). E ele explica-nos a razão dizendo: "Porque Cristo, nossa Páscoa, foi imolado por nós".
(1 Co 5,7).
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MEDITAMOS COM S. PAULO
NO MISTÉRIO DA CRUZ

A linguagem da cruz é loucura    para os que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, ela é poder de Deus" (1 Cor 1,18).

"Sem cessar trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Je­sus também seja manifestada em nosso corpo"
(2 Cor 4,10).

Nenhum dos príncipes deste mundo conhe­ceu a sabedoria de Deus. Se a tivessem co­nhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória (1 Cor 2,8).

"Aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e tudo reconciliar por meio dele e para ele, na terra e nos céus, tendo estabe­lecido a paz pelo sangue de sua cruz" (Cl 1,19-20).

"Ele se rebaixou, tornando-se obediente até a morte,
e morte numa cruz" (Fp 1,8).

"Estou pregado na cruz com Jesus Cristo.
Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.
Minha vida presente na carne,
eu a vivo pela fé no Filho de Deus,
que me amou e se entregou a si mesmo por mim"
(Gl 2,19-20).

"Nós pregamos um Messias crucificado,
es­cândalo para os judeus,
loucura para os pa­gãos, mas para os que são chamados,
ele é Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus"
(1 Cor 1,23-24).

 
Preces Oremos ao nosso Redentor que nos remiu pela sua Cruz; e digamos com toda a confiança: R. Elevai-nos pela cruz até o vosso Reino!
Cristo, que vos humilhastes, assumindo a condição de um escravo e fazendo-vos semelhante à nossa condição humana,
dai aos membros da Igreja a graça de imitarem a vossa humildade. R.

Cristo, que fostes obediente até à morte e morte humilhante numa cruz, concedei a vossos servos e servas a força de vos imitar na obediência e na paciência. R.

Cristo, que fostes exaltado por Deus e recebestes um nome que está acima de todo nome, concedei aos vossos fiéis o dom da perseverança até o fim. R.

Cristo, a cujo nome todo joelho se dobra no céu, na terra e nos abismos, derramai sobre a humanidade o vosso espírito de caridade, para que todos vos adorem na paz. R.
Cristo, a quem toda língua proclama Senhor para a glória de Deus Pai, recebei no reino da felicidade eterna os nossos irmãos e irmãs que morreram. R.

Pai nosso... Oração
Ó Deus, que para salvar a todos dispusestes que o vosso Filho morresse na cruz, a nós, que conhecemos na terra este mistério, dai-nos colher no céu os frutos da redenção.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
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8 de Setembro
Natividade de Nossa Senhora


Cante e exulte toda a criação e contribua com algo digno para a alegria destedia. É um só o júbilo dos céus e da terra; juntos festejem tudo quanto está unido no mundo e acima do mundo. Pois hoje se construiu o templo criado do Criador de tudo, e pela criatura, de forma nova e bela, preparou-se nova morada para o seu Autor.
(Trecho dos Sermões de Santo André de Creta, bispo)

 “Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar o nascimento da Virgem Santa Maria, da qual nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.”
(Da Missa da Natividade da Virgem Maria)

A nossa Mãe é modelo de correspondência à graça e, ao contemplarmos a sua vida, o Senhor dar-nos-á luz para que saibamos divinizar a nossa existência vulgar. Durante o ano, quando celebramos as festas marianas, e cada dia em várias ocasiões, nós, os cristãos, pensamos muitas vezes na Virgem. Se aproveitamos esses instantes, imaginando como se comportaria a nossa Mãe nas tarefas que temos de realizar, iremos aprendendo a pouco e pouco, até que acabaremos por nos parecermos com Ela, como os filhos se parecem com a sua mãe.

Imitar, em primeiro lugar, o seu amor. A caridade não se limita a sentimentos: há-de estar presente nas palavras e, sobretudo, nas obras. A Virgem não só disse fiat, mas também cumpriu essa decisão firme e irrevogável a todo o momento. Assim, também nós, quando o amor de Deus nos ferir e soubermos o que Ele quer, devemos comprometer-nos a ser fiéis, leais, mas a sê-lo efectivamente. Porque nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus.

Temos de imitar a sua natural e sobrenatural elegância. Ela é uma criatura privilegiada na História da Salvação, porque em Maria o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Foi testemunha delicada, que soube passar inadvertida; não foi amiga de receber louvores, pois não ambicionou a sua própria glória. Maria assiste aos mistérios da infância de seu Filho, mistérios, se assim se pode dizer, cheios de normalidade; mas à hora dos grandes milagres e das aclamações das massas desaparece. Em Jerusalém, quando Cristo - montado sobre um jumentinho - é vitoriado como Rei, não está Maria. Mas reaparece junto da Cruz, quando todos fogem. Este modo de se comportar tem o sabor, sem qualquer afectação, da grandeza, da profundidade, da santidade da sua alma!

Procuremos aprender, seguindo também o seu exemplo de obediência a Deus, numa delicada combinação de submissão e de fidalguia. Em Maria, nada existe da atitude das virgens néscias, que obedecem, sim, mas como insensatas. Nossa Senhora ouve com atenção o que Deus quer, pondera aquilo que não entende, pergunta o que não sabe. Imediatamente a seguir, entrega-se sem reservas ao cumprimento da vontade divina: eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa palavra. Vedes esta maravilha? Santa Maria, mestra de toda a nossa conduta, ensina-nos agora que a obediência a Deus não é servilismo, não subjuga a consciência, pois move-nos interiormente a descobrirmos a liberdade dos filhos de Deus
Cristo que passa 173. São Josemaria Escrivá

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Hino
Dona e Senhora da terra,
do céu Rainha sem par,
Virgem Mãe que um Deus encera,
suave Estrela do mar!

Tua beleza fulgura,
cingida embora de véus,
pois nos trouxeste, tão pura,
o próprio Filho de Deus.

Hoje é o teu dia: nasceste;
vieste sem mancha à luz:
com teu natal tu nos deste
o do teu Filho Jesus.

Em ti celeste e terrena,
o nosso olhar se compraz,
Rainha santa e serena,
que a todos trazes a paz.

Louvado o Deus trino seja,
suba ao céu nosso louvor,
pois quis tornar Mãe da Igreja
a própria Mãe do Senhor.

(Hino de Laudes)

LADAINHA EM HONRA DE MARIA MENINA
Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
Cristo, ouvi-nos
Cristo, atendei-nos
Deus Pai do céu, tende piedade de nós
Deus Filho Redentor do mundo, tende piedade de nós
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós
Santa Maria Menina, rogai por nós

Menina, filha do Pai,
Menina, Mãe do Filho,
Menina, Esposa do Santo Espírito,
Menina, Santuário do Santo Espírito,
Menina, fruto das orações dos teus pais,
Menina, riqueza do teu pai,
Menina, delícia da tua mãe,
Menina, honra do teu pai,
Menina, honra da tua mãe,
Menina, milagre da natureza,
Menina, prodígio da graça,
Menina, Imaculada na conceição,
Menina, mais que santa antes do teu nascimento,
Menina, mais que devota na tua apresentação,
Menina, prodígio da Graça Divina,
Menina, aurora do Sol de justiça,
Menina, fonte da nossa alegria,
Menina, escudo para os nossos pecados,
Menina, alegria da terra,
Menina, alegria do paraíso,
Menina, modelo de caridade,
Menina, modelo de humildade,
Menina poderosa,
Menina, meiga,
Menina, puríssima,
Menina obedientíssima,
Menina humilíssima,i
Menina dulcíssima,
Menina amabilíssima,
Menina, admirabilíssima,
Menina, incomparável,
Menina saúde dos enfermos,
Menina conforto dos aflitos,
Menina refúgio dos pecadores,
Menina esperança dos cristãos,
Menina Senhora dos Anjos,
Menina estirpe dos Patriarcas,
Menina, esperada pelos Profetas,
Menina, Senhora dos Apóstolos,
Menina força dos Mártires,
Menina, glória dos consagrados,
Menina, alegria dos Confessores da fé,
Menina, pureza das virgens,
Menina, Rainha dos santos,
Menina, nossa Mãe,
Menina, Rainha dos corações,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

Oremos: Ó Deus onipotente e misericordioso, que pelo Santo Espírito preparaste o corpo e a alma da Imaculada Maria Menina para se tornar Mãe do Vosso Filho, preservando-a de toda mancha de pecado, concedei-nos que venerando com todo o coração, sua infância, nos tornar livres, pelos seus méritos e intercessão, de todo pecado e imitá-la na sua perfeita humildade, obediência e caridade, por Cristo Nosso Senhor. Amem.


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INTENÇÃO DO MÊS DE SETEMBRO

Ofereço-vos, ó meu Deus, em união com o Santíssimo Coração de Jesus, por meio do Coração Imaculado de Maria, as orações, obras, sofrimentos e alegrias deste dia, em reparação de nossas ofensas e por todas as intenções pelas quais o mesmo Divino Coração está continuamente intercedendo e sacrficando-se em nossos altares.
Eu vo-los ofereço de modo particular....
 
Geral: Por todos os professores, a fim de que saibam transmitir o amor pela verdade e educar aos autênticos valores morais e espirituais.
Missionária: Para que as comunidades cristãs espalhadas no continente asiático proclamem o Evangelho com fervor, testemunhando a sua beleza com a alegria da fé.
Dos Bispos: Para que o Santo Espírito inspire os seminaristas à disponibilidade e a decisão de viver o celibato pelo Reino dos céus, o desprendimento dos bens da terra, a austeridade de vida e a obediência sincera e sem dissimulação.
Mariana:. Para que Nossa Senhora das Dores, nos ensine a manter a paz no coração, quando passamos dificuldades e provações.

Sacerdotal: Coração de Jesus que os sacerdotes possam identificar-se sempre mais com Aquele que por nós Se fez servo, sacerdote e vítima.


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No próximo 27 de agosto, a Cidade e a Arquidiocese de Maceió comemoram a sua Padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres...

ORIGEM DO TÍTULO
A origem do título, conta-se que em meados do século XVI uma imagem da Virgem Maria apareceu junto à fonte da Quinta dos Condes em Alcântara, Portugal, tendo comunicado àquela água a virtude de curar as doentes que dela bebessem. Nessa ocasião a Rainha do Céu apareceu a uma inocente menina, mandando dizer aos seus pais e vizinhos que edificassem naquele lugar uma capela, onde Ela fosse servida e invocada par todos sob a titulo de Senhora dos Prazeres. Feita a ermida, colocaram ali a imagem encontrada na fonte, a qual logo começou a operar maravilhas.

Portugal foi, segundo o historiador Frei Agostinho de Santa Maria, a primeira nação católica a festejar as alegrias de Nossa Senhora, culto este cuja origem remonta ao século XIV, porém só se desenvolveu após a aparição da imagem, que por vontade da Virgem Maria recebeu a denominação de Nossa Senhora dos Prazeres.

No Brasil, a devoção mais famosa à Virgem com esse título tem sua origem nos Montes Guararapes, perto de Recife e está ligada à igreja edificada a fim de agradecer à Mãe Santlssima o triunfo dos brasileiros sobre os holandeses nas batalhas de Guararapes.

Após as grandes festas celebradas para comemorar o triunfo dos brasileiros, que culminou com a rendição dos batavos, obrigados a abandonarem o país, o general Francisco Barreto de Menezes, comandante geral das tropas vitoriosas, enviado por D. João IV, mandou erguer a sua custa, em conseqüência a uma promessa feita no campo de batalha, uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres. A Insurreição Pernambucana contra o domínio holandês foi considerada, na época, não somente uma guerra patriótica, mas também uma luta religiosa, pois os batavos eram protestantes; por esse motivo os combates eram precedidos de novenas e procissões. Os soldados, antes de seguirem para o campo de batalha, confessavam-se e comungavam. A coragem inaudita e a bravura dos brasileiros de todas as raças, muito bem representadas por André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Filipe Camarão, acompanhada certamente pela proteção da Mãe de Deus dos Prazeres, foi a primeira afirmação de nossa nacionalidade e ali, como disse muito bem Gilberto Freire, - "escreveu-se a sangue o endereço do Brasil".
Texto escrito por Don Henrique

 
ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DOS PRAZERES
Ó Virgem Senhora dos Prazeres, lembrai-vos que além de nossa Mãe amabilíssima, sois nossa Padroeira, nossa Soberana e Rainha, a cuja guarda se colocaram os nossos antepassados, cheios de uma filial confiança.
Amparai-nos, ó Maria, consolai-nos mas tristezas e tribulações desse vale de lágrimas e mostrai que sois nossa Mãe, evolvendo-nos nas dobras de vosso manto de doçura e misericórdia.