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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

As Intenções indicadas ao Apostolado da Oração para o MÊS DE OUTUBRO





 
7 DE OUTUBRO
NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

 
 
Memória
– O Rosário, arma poderosa.
– Contemplar os mistérios do Rosário.
– A ladainha lauretana.

Esta festa foi instituída por São Pio V para comemorar e agradecer à Virgem a sua ajuda na vitória sobre os turcos em Lepanto, no dia 7 de outubro de 1571. É famoso o seu Breve Consueverunt (14-IX-1569), que via no Rosário um presságio da vitória. Clemente XI estendeu a festa a toda a Igreja no dia 3-X-1716. Leão XIII conferiu-lhe um nível litúrgico mais elevado e publicou nove admiráveis Encíclicas sobre o Santo Rosário. São Pio X fixou definitivamente a festa no dia 7 de outubro. A celebração deste dia é um convite para que todos rezemos e meditemos os mistérios da vida de Jesus e de Maria, que se contemplam nesta devoção mariana.

I. E, ENTRANDO O ANJO onde ela estava, disse-lhe: Salve, cheia de graça, o Senhor é contigo1. Com estas palavras, o anjo saudou Nossa Senhora, e nós as vimos repetindo incontáveis vezes em tons e circunstâncias muito diferentes.
Na Idade Média, saudava-se a Virgem Maria com o título de rosa (Rosa mystica), símbolo de alegria. Adornavam-se as suas imagens – como agora – com uma coroa ou ramo de rosas (em latim medieval Rosarium), como expressão dos louvores que brotavam dos corações cheios de amor. E os que não podiam recitar os cento e cinqüenta salmos do ofício divino substituíam-no por outras tantas Ave-Marias, servindo-se para contá-las de uns grãos enfiados por dezenas ou de nós feitos numa corda. Ao mesmo tempo, meditava-se a vida da Virgem e do Senhor. A Ave-Maria, recitada desde sempre na Igreja e recomendada freqüentemente pelos Papas e Concílios, tinha inicialmente uma forma breve; mais tarde, adquiriu a sua feição definitiva quando lhe foi acrescentada a petição por uma boa morte: rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte; em cada situação, agora, e no momento supremo de nos encontrarmos com o Senhor. Estruturaram-se também os mistérios, o argumento de cada dezena, contemplando-se assim os acontecimentos centrais da vida de Jesus e de Maria, como um compêndio do ano litúrgico e de todo o Evangelho. Também se fixou a recitação da Ladainha: um cântico cheio de amor, de louvores a Nossa Senhora e de súplicas, de manifestações de júbilo e de alegria.
São Pio V atribuiu a vitória de Lepanto – obtida no dia 7 de outubro de 1571 e com a qual desapareceram graves ameaças à fé dos cristãos – à intercessão da Santíssima Virgem, invocada em Roma e em todo o orbe cristão através do Santo Rosário. Por esse motivo, foi acrescentada à ladainha a invocação Auxilium christianorum. Desde então, esta devoção à Virgem foi constantemente recomendada pelos Sumos Pontífices como “oração pública e universal pelas necessidades ordinárias e extraordinárias da Igreja santa, das nações e do mundo inteiro”2.
Neste mês de outubro, que a Igreja dedica a honrar a nossa Mãe do Céu especialmente através do rosário, devemos verificar com que amor o rezamos, como contemplamos cada um dos seus mistérios, se oferecemos cada dezena por intenções cheias de santa ambição, como aqueles cristãos que, com a sua oração, alcançaram da Virgem uma vitória tão decisiva para toda a cristandade. Perante as dificuldades que experimentamos, perante a ajuda tão grande de que precisamos no apostolado, para levarmos adiante a família e aproximá-la mais de Deus, nas batalhas da vida interior, não podemos esquecer que “como em outros tempos, o Rosário há de ser hoje arma poderosa para vencermos na luta interior e para ajudarmos todas as almas”3.
II. O NOME ROSÁRIO provém do conjunto de orações, à maneira de rosas, que dedicamos à Virgem4. Também como rosas foram os dias da Virgem: “Rosas brancas e rosas vermelhas; brancas de serenidade e pureza, vermelhas de sofrimento e amor. São Bernardo diz que a própria Virgem foi uma rosa de neve e sangue. Já tentamos alguma vez desfiar as contas da sua vida, dia a dia, por entre os dedos das nossas mãos?”5 É o que fazemos ao contemplarmos as cenas – mistérios – da vida de Jesus e de Maria que se intercalam a cada dez Ave-Marias.
Nas cenas do Rosário, divididas em três grupos, percorremos os diversos aspectos dos grandes mistérios da salvação: o da Encarnação, o da Redenção e o da vida eterna6. Nesses mistérios, de uma forma ou de outra, temos sempre presente a Virgem. Não se trata apenas de repetir monotonamente as Ave-Marias a Nossa Senhora, mas de contemplar também os mistérios que se consideram em cada dezena. A meditação desses mistérios causa um grande bem à nossa alma, pois vai-nos identificando com os sentimentos de Cristo e permite-nos viver num clima de intensa piedade: alegramo-nos com Cristo gozoso, sofremos com Cristo paciente, vivemos antecipadamente na esperança, na glória de Cristo glorificado7.
Para realizarmos melhor essa contemplação dos mistérios, pode ser-nos útil seguir este conselho prático: “Demora-te por uns segundos – três ou quatro – num silêncio de meditação, considerando o respectivo mistério do Rosário, antes de recitares o Pai-Nosso e as Ave-Marias de cada dezena”8. É aproximarmo-nos da cena como um personagem mais, imaginar os sentimentos de Cristo, de Maria, de José...
Desse modo, procurando com simplicidade “assomar” à cena que se propõe em cada mistério, o Rosário “é uma conversa com Maria que nos conduz igualmente à intimidade com o seu Filho”9. Familiarizamo-nos no meio dos nossos assuntos quotidianos com as verdades da nossa fé, e essa contemplação – que pode ser feita mesmo no meio da rua, do trabalho –, ajuda-nos a estar mais alegres, a comportar-nos melhor com as pessoas que se relacionam conosco. A vida de Jesus, por meio da Virgem, torna-se vida também em nós, e aprendemos a amar mais a nossa Mãe do Céu. Quanta verdade nestes versos do poeta: “Tu que achas esta devoção / monótona e cansada, e não rezas / porque sempre repetes os mesmos sons..., / tu não entendes de amores e tristezas: / que pobre se cansou de pedir dons, / que enamorado de dizer coisas ternas?”10
III. DEPOIS DE CONTEMPLARMOS os mistérios da vida de Jesus e de Nossa Senhora com o Pai-Nosso e a Ave-Maria, terminamos o Rosário com a ladainha lauretana e algumas petições que variam conforme as regiões, as famílias ou a piedade pessoal.
A origem das ladainhas remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Eram orações breves, dialogadas entre os ministros do culto e o povo fiel, e tinham um especial caráter de invocação à misericórdia divina. Rezavam-se durante a Missa e, mais especialmente, nas procissões. A princípio, dirigiam-se ao Senhor, mas em breve surgiram também as invocações à Virgem e aos santos. As primícias das ladainhas marianas são os elogios cheios de amor dos cristãos à sua Mãe do Céu e as expressões de admiração dos Santos Padres, especialmente no Oriente.
A Ladainha que se reza atualmente no Rosário começou a ser cantada solenemente no Santuário de Loreto (de onde procede o nome de ladainha lauretana) por volta do ano 1500, mas baseia-se numa tradição antiqüíssima. Desse lugar espalhou-se por toda a Igreja.
Cada invocação é uma jaculatória cheia de amor que dirigimos à Virgem e que nos mostra um aspecto da riqueza da alma de Maria. Agrupam-se em torno das principais verdades marianas: a maternidade divina de Maria, a sua virgindade perpétua, a sua mediação, a sua realeza universal e a sua exemplaridade como caminho para todos os seus filhos. Assim, ao invocá-la como Santa Mãe de Deus, professamos expressamente a sua maternidade; quando a louvamos como Virgem das virgens, reconhecemos a sua virgindade perpétua; quando a invocamos como Mãe de Cristo, professamos a sua íntima união com o verdadeiro Mediador e Rei, e reconhecemo-la, portanto, como Rainha e medianeira...
A Virgem é Mãe de Deus e Mãe nossa, e é esse o título supremo com que a honramos e o fundamento de todos os outros. Por ser Mãe de Cristo, Mãe do Criador e do Salvador, também o é da Igreja e da divina graça, é Mãe puríssima e castíssima, intacta, amável, imaculada, admirável. E pelo privilégio da sua virgindade perpétua, é Virgem prudentíssima, veneranda, digna de louvor, poderosa, clemente, fiel...
A Mãe de Deus é além disso, Medianeira em Cristo11 entre Deus e os homens, e por isso invocamo-la sob três belíssimos símbolos e outros aspectos da sua mediação universal: Ela é a nova Arca da Aliança, a Porta do Céu através da qual chegamos a Deus, e a Estrela da manhã, que nos permite sempre orientar-nos em qualquer momento da vida; é Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos aflitos, Auxílio dos cristãos...
Maria é Rainha de todas as coisas criadas, dos céus e da terra, porque é Mãe do Rei do universo. A universalidade do seu reinado começa pelos anjos e continua depois pelos santos (pelos do céu e pelos que na terra buscam a santidade): Ela é Rainha dos anjos, dos patriarcas, dos profetas, dos apóstolos, dos mártires, dos confessores (dos que confessam a fé), das virgens, de todos os santos. E a seguir recordamos quatro outros títulos da sua realeza: Maria é Rainha concebida sem pecado, assunta aos céus, do Santíssimo Rosário e da paz.
Depois de invocá-la como exemplo perfeito de todas as virtudes, aclamamo-la enfim com estes símbolos e figuras de admirável exemplaridade: Espelho da justiça, Sede da sabedoria, Causa da nossa alegria, Vaso espiritual, Vaso honorável, Vaso insigne de devoção, Rosa mística, Torre de Davi, Torre de marfim e Casa de ouro.
Ao determo-nos devagar em cada uma destas invocações, podemos maravilhar-nos com a riqueza espiritual, quase infinita, com que Deus ornou a sua Mãe. Causa-nos uma imensa alegria ter como Mãe a Mãe de Deus, e assim lho dizemos muitas vezes ao longo do dia. Cada uma das invocações da Ladainha pode servir-nos como jaculatória para lhe manifestarmos quanto a amamos, quanto precisamos dEla.
(1) Lc 1, 28; (2) João XXIII, Cart. Apost. Il religioso convegno, 29-IX-1961; (3) Josemaría Escrivá, Santo Rosário, pág. 7; (4) cfr. J. Corominas, Diccionário crítico etimológico castellano e hispánico, Gredos, Madrid, 1987, verbete Rosa; (5) J. M. Escartin, Meditación del Rosario, Palabra, Madrid, 1971, pág. 27; (6) cfr. R. Garrigou-Lagrange, La Madre del Salvador, Rialp, Madrid, 1976, pág. 350; (7) cfr. Paulo VI, Exort. Apost. Marialis cultus, 2-II-1974, 46; (8) Josemaría Escrivá, op. cit., pág. 15; (9) R. Garrigou-Lagrange, op. cit., pág. 353; (10) cit. por A. Royo-Marín, La Virgen Maria, BAC, Madrid, 1968, págs. 470-471; (11) cfr. João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 25-III-1987, n. 38.

Homilia do Pe. Francisco Fernández Carvajal

 



MÊS DE OUTUBRO
Geral: Pelo desenvolvimento e o progresso da Nova Evangelização nos Países do antigo cristianismo.
Missionária: Para que a celebração do Dia Mundial das Missões seja ocasião de um renovado compromisso de evangelização.

Dos Bispos: Para que as nossas famílias acolham a Virgem Maria assim como foi acolhida pelo Discípulo predileto e nos ajude a ser fiéis ao seu Filho Jesus.
Mariana: Para que Maria nos ensine a apreciar e amar a oração do santo Rosário.
Sacerdotal: Coração de Jesus, que os bispos façam esforços para acolher os sacerdotes sem se cansar, para agir com eles com um coração de pai e de mãe e os “considerar como filhos e amigos”.




 


Testemunho de um sacerdote

Com vocês aprendi que a oração é "escolher Deus"

Na minha estória pessoal, hoje está claro que a minha rejeição à chamada da parte de Deus tinha raízes na falta de humildade e de obediência ao querer de Dele quer, sempre, pediu tudo de mim. Esta falta de disponibilidade para ser usado por Ele incondicionalmente, esta resistência a abandonar-me Nele é a origem deste episódio. Era e é como um nó de egoísmo que levo dentro e que procuro dolorosamente desfazer , comprometendo-me a compartilhar finalmente com a sua vontade.

Está claro para mim que por anos fui um sacerdote fora da minha identidade sacerdotal, porque comprometido sempre em realizar exclusivamente os meus projetos e minhas esperanças e não os projetos e esperanças de Deus. A minha forte personalidade, a minha inteligência e tenacidade, foram tentações e apoio neste caminho de distanciamento da Sua direção. Acreditei haver conseguido dar forma e substância à uma “minha maneira” sacerdotal , porque, construída com uma genialidade que estimulava aplausos na igreja, tão brilhante de parecer uma autêntica missão. Construi para mim até uma justificativa teológica . Hoje, está claro que eram só pretextos.

Estava acostumado à leve angústia de ter sido confiado a Deus, de ter que renunciar a tantos bens exteriores e sobretudo aqueles interiores, aos ideais pessoais que, como todos, adorava tenazmente. Angustia de uma exigência de pura e simples missão, além disso, como "ovelha em meio aos lobos", sem poder deixar-me ser verdadeiramente eu mesmo e a minha maneira. Angústia de ter de responder coerentemente a esta voz imprevisível e penetrante que pede sempre mais e mais e sempre diferente daquilo que seria o seu desejo, de dar e receber. Angústia, em fim, diante a Deus, a qual simplicidade, a qual nudez e tão difícil de aceitar e de suportar da parte de quem se considera inteligente e forte. No fundo, se escondia fundamentalmente uma grave falta de fé, daquela fé que consiste na atitude de uma criança que se abandona nos braças de Deus e Dele só espera energia e orientação. Faltava-me aquela vida de fé que amadurece gradualmente na fidelidade moral de todo dia e pede um caminho constante e ininterrupto.

Agora está claro que , consagrado como sacerdote, nunca escolhi Deus verdadeiramente como fulcro daminha existência e de meu amor. Um problema de fé, um problema de amor: um problema de oração. Sim, acho verdadeiramente que a raiz da minha crise de identidade e de perseverança seja identificável em ter acreditado que a vocação fosse uma chamada para “ser” padre e não tê-la aceitado como chamada a “viver” a fé. Com outros, havia reduzido tudo a isto: bastava que eu conhecesse as minhas tarefas e deveres e que assinasse a minha corajosa declaração que estava disposto a assumi-la.Bastava que eu “escolhesse". Só hoje vejo claramente que a realidade de acolher é outra. Se trata de aceitar deliberadamente de “ter sido escolhido”, se trata de “reconhecer-se escolhido” e de amar este estado de coisa, de responder à chamada de um Outro, dizendo: meu Senhor e meu Deus!

Só a pouco comecei a me compreender como chamado e como mandado. Com a ajuda da graça me convenci disto e estou me educando para assumir esta verdade com critério de vida e de ação, como qualificação específica da minha pessoa. E já percebo que em volta deste núcleo de verdade aceita e adorada, está se construindo a minha harmonia pessoal, a minha pacificação rica de simplicidade e alegria.

Este processo de maturidade da minha pessoa durará por toda a vida porque devo recuperar muitos anos perdidos. É triste dizê-lo mas vivi, infelizmente, tempo demais em um presbitério que não tinha aceito completamente o Senhor e que não percebia a urgência de buscá-lo e escolhê-lo continuamente. Sacerdotes cansados Dele

Mas a descoberta importante já está em mim. Sim, ajudaram-me outros amigos e subsídios, mas sei muito bem que tudo se tornaria vão se eu não permanecesse fiel a uma escolha “minha” fundamental, a escolha de estar em diálogo íntimo com Deus. Experimentei que, para mim, a raiz da crise vocacional estava na falta de fé, mas a falta de fé era amadurecida para a falta de familiaridade habitual com o Senhor.

A minha oração já se chama "escolha de Deus" e a minha escolha de Deus se chama "oração". Este é o tipo exato que corresponde à vocação que me foi dada e à qual decidi permanecer fiel. Este é o compromisso fundamental que deve influir diretamente sobre a minha existência e deve se concretizar em atitude precisa e nos mil pequenos gestos de cada dia. Porque é impossível viver "verdadeiramente" aquilo que não se vive "cotidianamente", e para que os valores que dão vida e liberdade fiquem vivos em mim, só se os exprimo continuamente em gestos concretos, os mesmos valores mais altos desaparecem da mente e do coração, eu fiz esta dramática experiência, quando cheguei até a me perguntar até a me perguntar que sentido tinha a vida, que sentido tem Deus. Confesso: não era sacerdote "de Deus" simplesmente porque não havia nunca entrado de verdade, com a vida e com a alma, Nele, através da oração. Ninguém pode experimentar Deus e ficar fiel a Ele senão "vive" uma vida coerente com este ideal. A incoerência prática ao escolher a Ele conduz à negação prática (e às vezes até a teórica) Dele.

Com a força do desespero e com a alegria de ser salvo, comprometo-me para que Deus se torne sempre mais presença real, amigo fiel, pessoa viva dentro de mim. Esforço-me para tomar decisões que tenham sempre a Ele como fulcro e com termo, desconfiando das minhas motivações tão freqüentemente contaminadas de desânimo e segundas intenções. É um caminho longo que aprendi a percorrer com vocês, tomando decisões sinceras na solidão da minha intimidade. Lá o Pai se manifesta até a mim, dando-me uma nova consciência de si, o conhecimento que reservou para os pequeninos, para aqueles que não sonham alto, mas buscam-no cada dia nas voltas e nas misérias da própria vida.